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Linha Direta

Chilenos vão às urnas em busca de mudanças no modelo neoliberal

Áudio 04:29
As candidatas Michelle Bachelet (à esquerda) e Evelyne Matthei.
As candidatas Michelle Bachelet (à esquerda) e Evelyne Matthei. ©Reuters.

Os eleitores chilenos vão às urnas neste domingo para decidir se mantêm o modelo neoliberal, herdado do ditador Augusto Pinochet, ou se começam uma fase de reformas, principalmente na Constituição e no setor da educação. Oito dos nove candidatos a presidente propõem uma série de reformas.Ouçam a análise completa do correspondente Marcio Resende, enviado especial a Santiago (clique acima à esquerda).

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A ex-presidente de centro-esquerda Michelle Bachelet vai ganhar as eleições, segundo todas as pesquisas. As duas únicas dúvidas no país são se Bachelet vence logo no primeiro turno neste domingo e se vai realmente conseguir aplicar as reformas que promete.

O Chile é hoje o país mais neoliberal da América Latina, à direita da Europa e à direita dos Estados Unidos. Há 40 anos, o ditador Augusto Pinochet derrubava o governo do socialista Salvador Allende e aplicava um modelo de livre mercado. Pinochet privatizou escolas e universidades, a previdência social, o sistema de saúde e são essas questões que estão em jogo nesta eleição.

A última pesquisa eleitoral, realizada duas semanas atrás, apontava Bachelet com 47% das intenções de voto, enquanto sua principal adversária, a pinochetista de direita Evelyn Matthei, tinha apenas 14%. Matthei foi ministra do Trabalho do atual presidente Sebastian Piñera.

Esta é a primeira eleição presidencial em que o voto não é mais obrigatório, o que provoca um certo suspense em relação à participação dos chilenos.

Ambas as candidatas são filhas de generais da Força Aérea e foram amigas de infância devido à amizade em comum dos seus pais. O pai de Michelle, Alberto Bachelet, defensor do governo de Salvador Allende, morreu como consequência das torturas que sofreu na Academia de Guerra, onde o pai de Evelyn, Fernando Matthei, era diretor, pouco antes de integrar a Junta Militar do ex-ditador.

Reformas

Michelle Bachelet promete realizar pelo menos quatro reformas, se eleita: tornar 70% da educação gratuita em quatro anos e 100% gratuita em seis anos. O sistema educacional chileno, privado e caro, é considerado um dos mais segregadores do mundo, um motor de desigualdade social. Para isso, será necessária uma reforma tributária que financie esse novo gasto do Estado.

A outra reforma é no sistema de pensões. A previdência no Chile é privada.

A quarta reforma é de ordem constitucional. A Constituição chilena é de 1980 e foi imposta por Pinochet. É uma Constituição sem legitimidade e criada para assegurar que o modelo neoliberal e autoritário se perpetue. A ideia é mudar o sistema de representatividade política para quebrar o monopólio da direita no poder e permitir que partidos pequenos e minorias tenham representação.

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