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Meio Ambiente

80% das onças-pintadas somem da Mata Atlântica em 15 anos

Áudio 04:02
A onça-pintada (Panthera onca), habitante da Mata Atlântica, corre risco extremo de extinção.
A onça-pintada (Panthera onca), habitante da Mata Atlântica, corre risco extremo de extinção. U.S. Fish and Wildlife Service/domínio público

A população de um dos animais mais impressionantes da fauna brasileira não para de diminuir na Mata Atlântica, onde corre risco extremo de extinção. Nos últimos 15 anos, o número de onças-pintadas caiu 80% e hoje é estimado em apenas 250 animais, de acordo com um levantamento do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap). O desmatamento e a caça são as principais causas do problema.

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De acordo com o Cenap, a situação coloca em risco a preservação da própria Mata Atlântica: como as onças se encontram no topo da cadeia alimentar, o desaparecimento delas causaria um desequilíbrio ambiental irreparável no pouco que resta da floresta. Atualmente, apenas 7% da Mata Atlântica ainda está de pé, num total de 28,6 mil km².

Para Rogério Cunha de Paula, coordenador do Plano de Ação Nacional para Conservação da Onça-Pintada, a aprovação do novo Código Florestal jogou um balde de água fria nas esperanças de evitar a extinção do felino. “O Congresso faz o que quer com as questões ambientais. Houve uma grande mobilização contra o Código Florestal, porém tarde demais”, lembra. “A gente precisa envolver a comunidade internacional, porque essa situação é uma vergonha para o país. Até se poderia estudar a aplicação de embargos por causa dessa irresponsabilidade ambiental do Brasil.”

Na maioria dos casos, é o desmatamento que empurra as onças para regiões agrícolas, ao não terem mais o habitat natural. Famintas, elas atacam criações de gado nas redondezas, que antigamente faziam parte da floresta. Com o rebanho ameaçado, os fazendeiros matam os animais, sem que qualquer punição seja aplicada, devido às deficiências na fiscalização.

Porém um outro tipo de prática também preocupa os especialistas, desta vez no Pantanal: as excursões de caça esportiva, protagonizadas por turistas europeus e americanos. “Diversos proprietários no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul abrem as portas das fazendas para isso. Eles têm muitos problemas com as onças, querem resolver a situação e aproveitam para ganhar um dinheiro”, relata o analista ambiental.

Cunha de Paula observa que o trabalho de conscientização das comunidades na Mata Atlântica avança, mas em outras regiões onde as onças-pintadas são ameaçadas, como a caatinga, a situação é ainda mais crítica. “Na caatinga, a nossa previsão é de que o animal será extinto em menos de 50 anos, se não for feito um movimento grande de integração das áreas onde as onças estão, que é a mesma proposta para a Mata Atlântica”, afirma.
 

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