Acessar o conteúdo principal
Linha Direta

Grande Barreira de Corais da Austrália é ameaçada por expansão de porto de carvão

Áudio 05:46
Vista aérea da Grande Barreira de Corais, em Queensland, na Austrália.
Vista aérea da Grande Barreira de Corais, em Queensland, na Austrália. Wikimedia/Creative Commons

A maior e mais rica reserva de corais do planeta, em Queensland, na Austrália, está ameaçada. O governo da região aprovou o despejo de três milhões de metros cúbicos de resíduos nas águas do parque marítimo - uma ação que faz parte do plano de expansão do porto de carvão australiano de Abbot Point. A decisão enfureceu os ambientalistas que descrevem o plano como “devastador”. A correspondente da RFI em Melbourne, Luciana Fraguas, relata os detalhes desta controversa operação.

Publicidade

Para escutar o programa completo, clique no botão “Ouvir”

O governo de Queensland, região a qual pertence a barreira de corais e o porto de Abbot Point, quer aumentar para 70 milhões de toneladas a quantidade de carvão que, por ano, passará pelo local. De acordo com a administração da região, o projeto deverá resultar em um lucro equivalente a 8,7 milhões de reais e, segundo o governo, criará mais de 15 mil postos de trabalho. A ampliação vai transformar o porto de Abott Point no maior porto de carvão do mundo.

“O governo alega que o despejo será feito na área perto da costa e longe dos corais e que a barreira não será afetada”, conta a correspondente da RFI em Melbourne. Segundo o premiê de Queensland, Campbell Newman, seu governo pretende proteger o meio ambiente, mas não às custas do Estado. “Nós estamos no negócio do carvão. Quem quiser hospitais decentes, escolas e segurança tem que entender isso”, afirmou Newman.

Projeto

De acordo com os planos de expansão, as construtoras aumentarão o canal marítimo que dá acesso ao porto. Para isso, será necessário retirar milhões de metros cúbicos de solo composto por lodo, argila e lama.

“O risco de impacto ambiental é imenso. A argila, por exemplo, demora para afundar e pode flutuar na água por muito tempo”, avalia Luciana Fraguas. A jornalista ressalta que as partículas de argila bloqueiam a luz solar fundamental para a sobrevivência dos corais.

Além deste problema, há também o risco de que os sedimentos possam sufocar os corais e a vegetação marinha. O trânsito de navios no porto também aumentaria o risco de acidentes, como derramamento de óleo e colisões com as delicadas camas de corais.

Patrimônio mundial em risco

Um recente relatório da Unesco expressou grande preocupação com construções próximas aos recifes. A entidade alertou que a Grande Barreira de Corais poderá entrar na lista de patrimônios mundiais em risco.

“O governo está tentando conter a má repercussão do caso, que pode causar grande impacto no turismo local, e entregou um relatório a Unesco um dia depois do anúncio da decisão de despejar sedimentos, lodo e lama na região dos corais”, diz a correspondente.

Já o relatório do governo australiano às Nações Unidas alega que a poluição resultante da operação no porto será mínima. Para a administração de Queensland, as mudanças climáticas globais afetariam mais os corais do que o projeto de Abott Point.

Sete maravilhas do planeta

A Grande Barreira de Corais é considerada uma das sete maravilhas do planeta. Ela é composta por cerca de 3 mil corais e serve de habitat para mais de 1,6 mil espécies de peixe. O patrimônio da Unesco ocupa uma área de 340 mil quilômetros quadrados e é tão grande que pode ser vista do espaço.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.