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Tribunal de Contas critica gestão do dinheiro público na França

Didier Migaud, presidente do Tribunal de Contas, apresenta seu relatório anual, 11 de fevereiro de 2014.
Didier Migaud, presidente do Tribunal de Contas, apresenta seu relatório anual, 11 de fevereiro de 2014. Reuters/Benoit Tessier

Os jornais desta quarta-feira (12) dão amplo destaque a um relatório que acaba de ser publicado pelo Tribunal de Contas francês. O documento aponta que faltará dinheiro ao governo socialista para cumprir as metas de déficit público. A recomendação global do relatório é reduzir drasticamente as despesas com programas sociais, que não dão o retorno esperado.

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O diário Les Echos relata que o Tribunal de Contas considera as previsões de receitas e de despesas do governo francês muito otimistas. A dívida pública do país vai ultrapassar 2 trilhões de euros neste ano, e embora o presidente François Hollande tenha apresentado um plano de redução dos gastos públicos de 50 bilhões de euros até 2017, as metas de déficit público de 2013 e 2014 não serão cumpridas. De acordo com o relatório, haverá uma queda de arrecadação de 3 a 6 bilhões de euros, e o déficit será bem maior que o planejado.

Les Echos diz ainda que o Tribunal de Contas aponta falhas e incoerências em cerca de trinta políticas públicas do governo francês, entre elas a gestão dos controles sanitários, as passagens praticamente gratuitas para os funcionários da companhia ferroviária estatal SNCF ou ainda o caixa de previdência dos profissionais liberais.

Aujourd'hui en France conta que os parentes de ferroviários conseguem passagens de trens com até 90% de desconto. Segundo o Tribunal de Contas, 1,1 milhão de pessoas beneficiaram desse sistema até o final de 2011, causando prejuízos de 100 milhões de euros aos cofres do Estado, relata o diário popular.

Em tom ácido, o editorial do Le Figaro afirma que enquanto Hollande embala os franceses com fórmulas suaves como "pacto de responsabilidade" entre empresários e governo, e promete um futuro promissor à França, o presidente do Tribunal de Contas, Didier Migaud, que é um socialista, se encarrega de fazer o chefe de Estado colocar os pés no chão. O tribunal condena, sem fazer concessões, a gastança no setor público, o constante desperdício de dinheiro do contribuinte, e recomenda ao governo "dar o exemplo" em vez de ficar propagando ilusões.

L'Humanité também dedica sua matéria de capa a este relatório. O diário comunista afirma que os técnicos em finanças do Tribunal de Contas recomendam novos cortes nas despesas públicas e apontam gastos excessivos na Seguridade Social e nas instâncias administrativas departamentais. L'Humanité ressalta que o Tribunal de Contas quer acelerar o choque de simplificação administrativa, para prestar um serviço público de melhor qualidade, menos dispendioso.

No entanto, como veículo de imprensa comunista, o editorialista do L'Humanité acredita que o Tribunal de Contas sempre faz recomendações que acabam penalizando os mais pobres.

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