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Linha Direta

Japão lembra 3 anos da tragédia que provocou acidente de Fukushima

Áudio 04:37
O Imperador Akihito e imperatriz Michiko fazem um minuto de silêncio em frente do memorial que foi montado para relembrar as vítimas do terremoto e tsunami.
O Imperador Akihito e imperatriz Michiko fazem um minuto de silêncio em frente do memorial que foi montado para relembrar as vítimas do terremoto e tsunami. REUTERS/Franck Robichon/Pool

O Japão lembrou nesta terça-feira (11) o aniversário de uma tragédia tripla: um terremoto seguido de uma tsunami, que provocou o acidente nuclear de Fukushima. O país fez um minuto de silêncio às 2:46min, hora exata em que o terremoto atingiu a costa do Nordeste, em março de 2011.

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Foi o maior tremor já registrado no Japão, responsável pela onda gigante que se formou cerca de 20 minutos depois, engolindo várias cidades e provocando o acidente na usina de Fukushima. Mesmo em Tóquio, onde a população já não sente os efeitos da tragédia, o dia 11 de março é uma data marcada pela tristeza e pela reflexão, informa a correspondente da Rádio França Internacional, Cláudia Sarmento.

Numa cerimônia oficial em homenagem às vítimas, o primeiro-ministro Shinzo Abe prometeu acelerar a reconstrução da área atingida. Já o imperador Akihito, uma figura muito importante para os japoneses, pediu em seu discurso que o 11 de março não seja esquecido e que as lições daquele dia ajudem o país a se prevenir contra uma nova catástrofe.

Reconstrução lenta

Segundo Cláudia Sarmento, a reconstrução do país segue mais lenta do que imagina a comunidade internacional. A infraestrutura e os serviços básicos no Nordeste do país foram restabelecidos. Ou seja, estradas, rede elétrica, abastecimento de água, aeroportos e ferrovias, entre outros serviços, funcionam normalmente, mas a reconstrução das casas ainda não avançou como se esperava.

“Cerca de 260 mil pessoas continuam vivendo em residências temporárias. Elas moram em unidades pré-fabricadas, enquanto os governos locais discutem os projetos para reerguer as comunidades e esperam a liberação de verbas”, explica.

“Muitos municípios afirmam que o governo federal não está dando prioridade à reconstrução e temem que, com as obras que serão necessárias para as olimpíadas de Tóquio em 2020, faltem recursos e mão de obra para acelerar a reconstrução dessa região afetada pela tsunami”, informa a correspondente.

A memória da tragédia

Uma das consequências da tragédia foi o aumento de doenças provocadas por estresse, conta a correspondente da RFI. “Os japoneses são um povo que resiste a expressar suas emoções em público. Tampouco faz parte da cultura japonesa, de uma forma geral, buscar ajuda psicológica. A dor de perder familiares, o desemprego, a incerteza em relação ao futuro e o desconforto das casas temporárias vêm cobrando um preço sobre a saúde da população”, afirma.

Como exemplo, Cláudia Sarmento cita que nas três províncias mais afetadas, calcula-se que mais de 2.900 pessoas tenham morrido desde 2011 em consequência de problemas físicos e psicológicos provocados pela tsunami e pelo acidente nuclear.

“As principais vítimas são moradores de áreas que foram contaminadas pela radiação, isto é, cidades que não podem receber de volta os moradores. Mas mesmo nas regiões que não foram atingidas pela radiação o sofrimento das famílias ainda é muito grande. Mais de dois mil corpos sequer foram recuperados até hoje”, diz Cláudia.

Futuro da energia nuclear

Fukushima continua sendo a parte mais cercada de incertezas no rastro da tragédia. Cerca de 130 mil pessoas estão fora de suas casas e não sabem quando poderão voltar, de acordo com a correspondente.

“A usina ainda tem milhares de operários trabalhando dia e noite para impedir o superaquecimento dos reatores, mas sabe-se que uma grande quantidade de água radioativa está vazando. O sistema de armazenamento dessa água já registrou uma série de problemas. Para que a usina seja totalmente desativada, serão necessárias quatro décadas”, informa.

“Todos os outros reatores do país estão parados, passando por testes. Mas o governo do primeiro-ministro Shinzo Abe é a favor da volta das usinas. Ele confirmou esta semana que as centrais que forem consideradas seguras serão reativadas porque a economia japonesa precisa disso para retomar o crescimento”, conclui.

 

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