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Fato em Foco

Nos 25 anos da web, criador defende internet livre e globalizada

Áudio 04:58
Berners-Lee usou este NeXTcube na CERN para criar o primeiro servidor web do mundo
Berners-Lee usou este NeXTcube na CERN para criar o primeiro servidor web do mundo wikipédia

Há 25 anos, o físico inglês Tim Berners-Lee definiu um sistema de compartilhamento de informações que acabaria conhecido como a World Wide Web. Ele criou o dispositivo de ligar documentos a partir de hiperlinks, possibilitando ao usuário “navegar” ou “surfar” de um site para outro. A sigla www provocou uma revolução cultural comparável à criação da imprensa por Gutenberg, segundo especialistas.

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O projeto foi desenvolvido no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), na Suíça, fronteira com a França. Inicialmente seria um meio de cientistas colaboradores no mundo todo ter acesso, por exemplo, a uma pesquisa. Desde o início, Berners-Lee adotou o princípio de abertura, inclusão e democracia, optando por não comercializar o sistema e disponibilizar a tecnologia publicamente.

Mas a web, como a palavra em inglês diz, é uma teia, e ela cresceu por todos os lados. Criou multimilionários, como Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, e vilões, como o NSA, o serviço de informações norte-americano. Maria Dimou é cientista do Departamento de Tecnologia da Informação do Cern. Ela acompanhou de perto a criação do sistema há 25 anos, e, explica a diferença entre internet e web. “A internet é como uma rede elétrica de um apartamento, enquanto a www, a teia, é um aparelho, como um ar condicionado ou um outro eletrodoméstico”, diz. Ou seja, “a teia utiliza a rede para propiciar a navegação de um documento para outro”.

“Foi uma mudança radical na história humana”, diz Maria Dimou sobre a criação da web. “Temos responsabilidade como cidadãos mundiais na hora de publicar ou selecionar o que acessar, pois a web é livre para todos, então muita coisa prejudicial pode ser divulgada”, acrescenta. Sobre o que a web pode trazer nos próximos 25 anos ela só aposta que todos os bancos de dados do mundo vão estar online. “O acesso a informações vai ser muito mais abrangente que hoje”, diz.

Redefinição de privacidade

Para Marcelo Coutinho, professor da Fundação Getúlio Vargas e diretor de Interesse e Mercado do portal Terra, o desenvolvimento da web vai também levar uma nova redefinição dos critérios de privacidade. “Foi uma explosão sem paralelo no uso dessa ferramenta, desde o seu projeto, há 25 anos, até hoje, provocando uma profunda alteração nas estruturas de poder, de criação de valores e circulação de capital”.

Para Coutinho, a web hoje é uma “arena de luta, seja política, econômica ou de outros interesses”. Em relação ao futuro da web, o especialista acredita numa “redefinição dos conceitos de privacidade, seja ela individual ou coletiva”. Ou seja, a questão a ser colocada é: “até que ponto os governos têm, em nome da segurança, ou da eficiência do mercado, de acompanhar as interações dos cidadãos e dos consumidores, através desses canais digitais?”.

Para comemorar os 25 anos da web, Tim Berners Lee está divulgando uma série de iniciativas para reafirmar os princípios da proposta original. Numa das campanhas, “The Web We Want” (“a web que queremos”), ele convida as pessoas a defender o direito a uma internet livre, aberta e global.

 

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