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Reportagem

Instituto francês lança revista sobre 50 anos do Golpe Militar no Brasil

Áudio 04:53
Foto do Arquivo Público de São Paulo de protestos pelos desaparecidos da ditadura militar brasileira durante seção da Lei de Anistia na Câmara dos Deputados.
Foto do Arquivo Público de São Paulo de protestos pelos desaparecidos da ditadura militar brasileira durante seção da Lei de Anistia na Câmara dos Deputados. Arquivo Público de São Paulo

Conforme se aproxima 31 de março de 2014, data em que o Golpe Militar no Brasil completa 50 anos, o tema se reforça nos meios jornalístico e acadêmico. Em sua próxima edição, a Revista Brésil Sciences humaines et sociales, publicada pelo Centro de Pesquisa sobre o Brasil Colonial e Contemporâneo (CRBC, na sigla em francês) tem o aniversário do Golpe como tema principal.

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Marco Santana, um dos pesquisadores que colaboram com a publicação editada pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris (EHESS), deu uma conferência na instituição nesta segunda-feira. O professor da Federal Fluminense e diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade falou sobre a história dos sindicatos no Brasil, antes, durante e depois da tomada do poder pelos militares.

50 anos do Golpe
Depois da conferência, ele conversou com a reportagem da RFI sobre os 50 anos do Golpe. Na Argentina, o ex-ditador Jorge Videla morreu na cadeia; do Chile, Augusto Pinochet fugiu pela porta dos fundos; depois de condenado, o ditador boliviano García Meza foi capturado no Brasil em 1994 e, desde então, está na prisão de Chonchocoro.

Mas no Brasil, a Comissão da Verdade se instaurou apenas em 2012. Para Santana, o atraso se deve principalmente a dois fatores: a forma como os militares fizeram a transição - inclusa a lei de anistia promulgada por eles em 1979 - e as sucessivas eleições de governos conservadores depois da abertura democrática. "Na verdade, você tem três mandatos conservadores que obviamente não tinham interesse (em promover o acerto de contas da Ditadura)".

Velhas caras novas
A transição como foi feita no Brasil criou uma chaga muito particular à nossa democracia: grupos civis que apoiaram o golpe continuaram em esferas de poder depois da abertura. A permanência desses grupos acaba por gerar entraves ao processo de reparação histórica dos crimes cometidos pela ditadura e cria até anomalias, como comemorações do que os setores mais retrógrados chamam de "Revolução de 64" e apologias do Golpe por uma parcela do Exército e mesmo por membros do Legislativo Federal.

Foi uma transição que deixou rastros não só políticos, mas na própria cultura dos agentes do Estado, como observa Santana: "Da mesma forma que você tem um desaparecido como Stewart Angel, que sumiu nas mãos do Estado e o Estado precisa dizer como foi etc., a mesma coisa a gente pode dizer do Amarildo (Dias de Souza)". Para ouvir mais da entrevista do professor Marco Santana, clique no Link acima.

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