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Linha Direta

Legalidade e lisura do referendo na Crimeia são questionadas

Áudio 04:31
O movimento separatista pró-Rússia contaminou outras regiões da Ucrânia, como em Kharkiv (leste), onde militantes estenderam a bandeira russa nas ruas. 16 de março de 2014
O movimento separatista pró-Rússia contaminou outras regiões da Ucrânia, como em Kharkiv (leste), onde militantes estenderam a bandeira russa nas ruas. 16 de março de 2014 REUTERS/Stringer

O governo separatista da Ucrânia vai solicitar hoje a Moscou a anexação definitiva da Crimeia à Federação Russa, um dia depois de a população da península separatista da Ucrânia ter votado em massa em um referendo pedindo a separação do país. O resultado foi mais do que expressivo. Segundo as autoridades locais, 96,6% dos eleitores votaram a favor da separação, e isso com mais de 80% de participação popular.

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Andrei Netto, enviado do jornal "O Estado de S. Paulo" a Simferopol, na Crimeia

O resultado esmagador pró-Rússia desse referendo foi obtido em uma votação para lá de contestada em Kiev e denunciada por militantes pró-Ucrânia de Simferopol e Sebastopol. O fluxo de eleitores foi de fato intenso ao longo de todo o dia, em diferentes seções de votação da capital da Crimeia. Mas o acesso dos eleitores às urnas foi fácil demais – a ponto de levantar dúvidas sobre a lisura do pleito.

Russos com visto de permanência provisória de apenas um ano na Ucrânia, por exemplo, foram autorizados a votar. Além disso, a votação e a apuração dos votos foi feita sem a presença de jornalistas ou de observadores internacionais reconhecidos como tal. Como os observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) foram impedidos de entrar na Crimeia, o trabalho de fiscalização do pleito coube a um grupo de cinco estrangeiros convidados pela organização do referendo – todos com discursos radicais de extrema-esquerda ou de extrema-direita, inclusive um do partido francês Frente Nacional.

Em Simferopol, a população foi às ruas para comemorar a vitória na praça Lenin desde o final da tarde. As pessoas pareciam alheias às dúvidas sobre o plebiscito, porque a maior parte dos habitantes é de origem russa na capital e em Sebastopol, as duas maiores cidades da Crimeia, e aderiram à ideia da anexação. Restam dúvidas sobre a legalidade e a lisura do referendo, mas não parece haver incertezas sobre a intenção da população da Crimeia de se separar da Ucrânia e voltar a integrar a Rússia.

Paz social

A ausência de incidentes em Simferopol e Sebastopol revela que há uma certa paz social na região. Além disso, Kiev e Moscou firmaram um acordo de trégua para que não haja troca de agressões entre soldados russos e ucranianos nas bases militares da região pelo menos até 21 de março. Trata-se de um sinal positivo, já que Vladimir Putin até aqui se recusava a conversar com o governo interino que substituiu o presidente deposto Viktor Yanukovich em fevereiro. Pouca gente tem dúvidas de que Putin vai, sim, anexar a Crimeia, contra a vontade do Ocidente. Resta saber qual vai ser a intensidade das sanções prometidas por Estados Unidos e Europa e, em especial, se Putin vai parar por aí em sua conquista de novos territórios.

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