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Crimeia/Rússia

Putin acelera procedimentos para anexação da Crimeia à Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, durante discurso diante do parlamento russo, em Moscou, nesta terça-feira (18).
O presidente russo, Vladimir Putin, durante discurso diante do parlamento russo, em Moscou, nesta terça-feira (18). REUTERS/Maxim Shemetov

O presidente russo, Vladimir Putin, acelerou na manhã desta terça-feira (18) os procedimentos para uma rápida integração da Crimeia à Federação Russa, informando oficialmente o governo e o parlamento sobre a anexação votada neste fim de semana pela maioria dos habitantes da península. Putin oficializa a integração da região ainda nesta manhã, diante das duas câmaras da Duma, o parlamento russo, em Moscou.

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Ontem (17), a Rússia reconheceu a independência da península proclamada pelo parlamento local, que também tomou uma série de medidas para se distanciar rapidamente da Ucrânia. Os bens do Estado ucraniano - incluindo bases militares e empresas de petróleo e gás -, foram nacionalizados. O rublo passou a ser a moeda oficial na Crimeia, mas a moeda ucraniana, a Grivna, poderá ser utilizada até 2016. No final do mês, os relógios na Crimeia vão ser adiantados em duas horas para passar ao horário de Moscou.

O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andrii Deshchytsia, fez um apelo nesta manhã para que a comunidade internacional não reconheça a soberania da República da Crimeia, anunciada ontem por autoridades separatistas da região. “Levando em conta que a independência da região foi proclamada por um órgão ilegítimo, após um referendo anticonstitucional, e violando as normas europeias, o ministério das Relações Exteriores da Ucrânia pede a todos os integrantes da comunidade internacional para se absterem do reconhecimento da República da Crimeia”, diz o comunicado publicado no site da diplomacia de Kiev.

UE e EUA aplicam sanções

A União Europeia (UE) e Estados Unidos anunciaram ontem sanções em represália à Rússia: os europeus contra 21 personalidades russas e ucranianas; os americanos contra 11 autoridades. O presidente norte-americano Barack Obama anunciou pessoalmente as medidas, mas Putin foi poupado tanto pela UE como por Washington.

Entre as onze autoridades sancionadas pela Casa Branca estão o presidente ucraniano deposto, Viktor Yanukovitch, um de seus conselheiros, e dois principais líderes separatistas da Crimeia, Sergi Axionov e Volodymyr Konstantinov. Entre os russos visados pela medida estão o vice primeiro-ministro Dmitri Rogozine, a presidente da Alta Câmara do parlamento russo, Valentina Matvienko, além de dois conselheiros próximos de Putin e dois integrantes da Duma.

Reunidos em Bruxelas, todos os ministros das Relações Exteriores condenaram a decisão de Moscou de anexar a península ao território russo. “Nós estamos tentando enviar uma mensagem mais impactante possível para a Rússia a fim de que eles entendam que a situação é grave”, declarou a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

Entre os sancionados pela UE, estão os dois principais líderes separatistas da Crimeia, bem como militares russos que atuam na península. Embora os europeus não tenham sancionado ministros do governo russo, representantes da UE dizem que mais medidas devem ser anunciadas nos próximos dias.

Em visita hoje a Varsóvia, o vice-presidente americano, Joe Biden, discute a crise ucraniana com os governantes da Polônia e da Estônia , particularmente preocupados com a atitude da Rússia.

Putin pode vir à França

O chanceler francês, Laurent Fabius, declarou nesta manhã que Putin continua convidado a vir à França para a cerimônia de 70 anos do desembarque dos aliados na Normandia, no dia 6 de junho. Em contrapartida, o país poderá cancelar a venda de navios militares à Rússia, se Putin for mais longe em suas pretensões territoriais, informou Fabius.

O chanceler lembrou, no entanto, que essas medidas contra Moscou não devem ser tomadas somente pela França e que outros países europeus devem se envolver. “Este tipo de decisão deve ser considerada apenas no âmbito de suspensão geral”, sublinhou.

Tesouro de guerra

O ex-assessor do ex-líder soviético Mikhaïl Gorbatchev, Andrei Gratchev, estima que as pretensões territoriais do presidente russo devem ser saciadas com a integração da Crimeia. “O fato de recuperar esta península deve representar para ele um tesouro de guerra impressionante", ressaltou. De acordo com Gratchev, Putin conseguiu reconstruir a integridade tradicional entre a Rússia e a Crimeia. "Ele mantém a capacidade de influenciar a evolução da situação na Ucrânia, e provavelmente vai conseguir mudar o poder em Kiev em uma direção mais favorável aos interesses da Rússia”, declarou.

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