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Imprensa relata dez meses de inferno vivido por jornalistas sequestrados na Síria

Da esquerda para a direita: Didier Francois, Edouard Elias, François Hollande, Nicolas Henin com seus filhos, Pierre Torres e Laurent Fabius, no aeroporto de Villacoublay.
Da esquerda para a direita: Didier Francois, Edouard Elias, François Hollande, Nicolas Henin com seus filhos, Pierre Torres e Laurent Fabius, no aeroporto de Villacoublay. REUTERS/Gonzalo Fuentes

Os jornais desta segunda-feira (21) destacam em manchete o retorno à França dos quatro jornalistas mantidos como reféns na Síria pelo grupo extremista Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL). O Le Figaro "pede licença" para manifestar "a imensa alegria e o alívio" de ver os franceses de volta e faz questão de frisar que não faz isso por corporativismo. Le Monde relata as duras condições do cativeiro.

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O diário conservador Le Figaro exibe em primeira página a imagem do presidente François Hollande batendo palmas para os jornalistas logo após o desembarque deles, ontem, em um aeroporto militar da região parisiense. Nicolas Henin, de 37 anos, repórter da revista Le Point, um dos quatro libertados, aparece emocionado nas fotos, abraçado pelos dois filhos, uma menina ainda pequena e um menino que tinha apenas sete meses quando ele foi sequestrado.

Le Figaro diz que a França pode se orgulhar de nunca abandonar seus cidadãos quando eles estão em perigo. O repórter Didier François, da rádio Europe 1 e mais velho do grupo que esteve no cativeiro, declarou que nunca duvidou da libertação e que tem orgulho de ser francês, referindo-se aos esforços da diplomacia e do serviço secreto nesse tipo de negociação.

Algemados no cativeiro

Le Monde destaca as condições de detenção dos jornalistas. Didier François, Nicolas Henin, e os fotógrafos Pierre Torres e Edouard Elias relataram que mudaram de local de cativeiro várias vezes. Passaram semanas algemados e sem ver a luz do dia, provavelmente escondidos em porões. Também disseram, conforme relata o Le Monde, que entre os sequestradores havia jovens europeus: belgas, italianos e franceses que estão fazendo a guerra santa na Síria contra o regime do presidente Bashar al-Assad. Didier François contou que foi ameaçado de execução, com armas apontadas contra sua cabeça, várias vezes. Repórter de guerra experiente, ele reconheceu que as condições de cativeiro eram duras.

'Algum governo amigo pagou o resgate'

Le Figaro evoca a obscura questão do pagamento de resgate. Por tradição, o governo francês afirma que nunca paga resgate em casos de sequestro. Porém, nas páginas do Le Figaro, um deputado da oposição, Alain Marsaud, diz que se a França não pagou o resgate "é porque outros 'amigos' pagaram no lugar do governo francês". "Nossos amigos, seja o governo do Catar ou dos Emirados Árabes Unidos, fizeram a gentileza", diz o deputado. Na verdade, o Catar perdeu influência para a Arábia Saudita sobre os grupos rebeldes e jihadistas e pode ter dado esta cartada. A imprensa cita ainda outras hipóteses para o resgate: pagamento com armas traficadas pela fronteira da Turquia, assim como eventual libertação de jihadistas presos em troca dos jornalistas.

Dois reféns no Mali

Os jornais aproveitam o desfecho bem-sucedido para lembrar que a França ainda tem dois cidadãos em poder de grupos extremistas no Mali. O Aujourd'hui en France informa que Serge Lazarevic, sequestrado em novembro de 2011, e Gilberto Rodriguez Leal, raptado em novembro de 2012, também no Mali, continuam em poder de extremistas.

Segundo o diário, a situação mais alarmante é de Gilberto Rodriguez Leal, porque a diplomacia francesa não recebe provas de vida do francês há muito tempo. O outro sequestrado, Serge Lazarevic, foi visto por militares franceses recentemente, o que é mais encorajador na opinião do chanceler francês, Laurent Fabius.

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