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Meio Ambiente

Ambientalistas franceses se unem para comprar reserva natural

Áudio 04:51
Camurça é um dos animais selvagens que vivem na região.
Camurça é um dos animais selvagens que vivem na região. Roger Mathieu

A primeira reserva natural privada na França foi inaugurada nesta semana em Véronne, perto dos Alpes, no sudeste do país. Com a ajuda de doadores, a Associação para a Proteção de Animais Selvagens (Aspas) conseguiu os fundos necessários para comprar a área de 105 hectares, onde a vegetação densa e as falésias de calcário servem de habitat para animais alpinos como renas e cervos.

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O objetivo é deixar a natureza se desenvolver sem nenhuma intervenção humana, depois que quase todas as florestas francesas foram destruídas ao longo dos séculos. O presidente da associação, Pierre Athanaze, avalia que até hoje a gestão dos parques naturais é deficiente no país, onde apenas 0,98% do território recebe proteção rígida do Estado.

“A floresta é explorada em todos os 10 parques nacionais da França. A caça já é autorizada em dois, e permitida em 70% das reservas naturais. A floresta é explorada em quase todas elas. Ou seja, a política das áreas protegidas está piorando”, lamenta. “Como o Estado não pode fazer melhor, nós adotamos o método anglo-saxão: viramos proprietários das terras que queremos que sejam transformadas em reservas, para determinarmos nós mesmos a regulamentação para esses lugares.”

A Aspas recusou qualquer subvenção estatal para a compra do território, chamado de Grand Berry. A área custou 140 mil euros, 70% bancados pelas doações de duas fundações de proteção do meio ambiente, a Por Uma Terra Humana e a Brigitte Bardot. O restante do valor veio dos militantes, em um total de 406 doadores.

Independente, a associação vai implantar uma administração rigorosa no respeito à natureza, proibindo a caça, a pesca, os automóveis, a exploração da floresta, a produção agrícola e as queimadas. O local pode ser visitado somente a pé.

“Formamos guardas qualificados, que poderão atuar como se fossem policiais florestais e garantir o cumprimento das regras. Eles vão visar as pessoas que venham caçar, depositar lixo ou cortar plantas ou árvores”, explica.

Mais três reservas “selvagens” estão sendo preparadas outras três regiões da França, num total de 300 hectares. A de Grand Berry é a 24ª deste tipo na Europa, catalogadas pela rede Rewilding Europe.

Animais de volta

Athanaze percebe que após dois anos de proibição da caça, animais como javalis, cervos e camurças, típicos da região, voltaram a povoar o local. O presidente da associação afirma que, por enquanto, novos animais não devem ser inseridos artificialmente na reserva.

“É um ecossistema que funciona bem, com grandes herbívoros, principalmente cervos e camurças. E há também a presença eventual de lobos e linces. Ou seja, é um ecossistema funcional”, observa. “Mas nada nos impede de, nessa reserva ou em outra, fazer uma reintrodução na natureza de uma espécie ameaçada.”

Situação no Brasil

No Brasil, esse tipo de iniciativa existe há muitos anos, desde 1990, com a implantação das Reservas Particulares do Patrimônio Nacional (RPPN) pelo Ibama. Atualmente, existem 1.100 reservas privadas, num total de 698 mil hectares. Esse número poderia ser bem maior, na opinião de Mariana Machado, da Fundação SOS Mata Atlântica, coordenadora do Programa de Incentivo às RPPNs.

“Grande parte dos ecossistemas nativos remanescentes estão nas mãos de proprietários particulares. A divulgação dessa possibilidade e o incremento de políticas públicas que incentive a criação dessas reservas são fundamentais para que outros proprietários se interessem e criem mais reservas”, avalia. “Há um grande potencial."

A lei de incentivo fiscal para a criação de RPPNs prevê a isenção de Imposto Territorial Rural, e alguns municípios oferecem a isenção do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), nas áreas urbanas.
 

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