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O Mundo Agora

Obama garante segurança na Ásia-Pacífico sem criar antagonismo com a China

Áudio 05:16
O presidente Barack Obama afirmou nesta segunda-feira (28) que o objetivo dos Estados Unidos na Ásia não é o de oposição a China.
O presidente Barack Obama afirmou nesta segunda-feira (28) que o objetivo dos Estados Unidos na Ásia não é o de oposição a China. REUTERS/Kim Hong-Ji

Na primeira década do século XXI, a política mundial girava em volta da geoeconomia: OMC, acordos de livre-comércio, integrações regionais. As grandes potências eram as que tinham maior sucesso econômico e a interdependência econômica generalizada não deixava mais espaço para grandes guerras entre Estados. Quando se falava de segurança pensava-se terrorismo, tráfico de drogas, pirataria, catástrofe climáticas. Na Europa e nos Estados Unidos, os orçamentos militares começaram a diminuir rapidamente. E o cientista político americano Francis Fukuyama podia proclamar o “fim da história”.

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Só que de repente, o mundo ouve mais uma vez o rufar dos tambores de guerra. Da guerra verdadeira, dos grandes exércitos, e não das simples intervenções expedicionárias dos últimos tempos. E como sempre, é nas regiões mais perigosas do planeta, a Europa e a Ásia-Pacífico, que o rufar é mais ensurdecedor.

Claro, a anexação pela força de uma parte do território ucraniano pela Rússia foi o catalisador dessa terrível volta à geopolítica. A tal ponto que a OTAN, que era dada por defunto está renascendo das cinzas. Mas isto só veio confirmar os sinais perigosos que já vinham da Ásia. Há um ou dois anos atrás, a viagem de Barack Obama na região teria sido dominada pelos problemas econômicos, a negociação do acordo de Parceria Trans-Pacífica e o diálogo comercial com a China.

Hoje, a turnê do presidente americano quase só falou de alianças militares, da presença das tropas americanas na região e de garantias de segurança. E Obama, a milhares de quilômetros da Europa, ainda teve que continuar administrando a tensão com a Rússia, decretando sanções contra o Kremlin enquanto discutia com os seus interlocutores asiáticos.

Os Estados Unidos continuam sendo não só a maior potência militar do planeta, mas também a única com força suficiente para peitar os arroubos aventureiros de Vladimir Putin e as provocações chinesas contra seus vizinhos. A China decidiu reivindicar abertamente e oficialmente sua soberania sobre praticamente todo o mar da China meridional, passando por cima dos direitos das Filipinas, do Vietnam, da Malásia ou da Indonésia. Sem falar na tensão com o Japão sobre as ilhotas Senkaku/Diaoyu.

A marinha chinesa multiplica as manobras de intimidação contra os navios dos países vizinhos, a ponto de criar um verdadeiro pânico regional. Manila, Tóquio, Jacarta, Hanói e Kuala Lumpur só querem saber de uma maior presença militar americana para contrabalançar o crescente poderio chinês. Durante a viagem, Obama ressuscitou a aliança militar com o Japão e assinou um acordo de cooperação militar com as Filipinas.

Todo o anti-americanismo que imperava na região no fim do século passado está sendo ultrapassado pelo medo do gigante chinês. Até o Vietnam abriu o porto de Cam-Ram para os porta-aviões, fragatas e contratorpedeiros do Tio Sam. Mais surpreendente ainda foram as declarações de dirigentes filipinos saudando a nova política de rearmamento japonês. Não há dúvida de que os tempos mudaram.

O presidente americano também foi visitar Seul. A idéia era mostrar à Coréia do Sul que Washington continuava disposto a defender o país contra as loucuras atômicas do vizinho norte-coreano, mas também para tentar botar panos quentes na inquietação dos coreanos do sul diante do renascer das ambições militares japonesas. E se tudo isso já não fosse tão complicado, Washington tem que garantir a segurança da região mas sem criar um antagonismo estratégico com a Pequim.

A China é o maior parceiro comercial dos Estados Unidos, mas os americanos também não tem nenhum interesse em isolar os chineses e jogá-los nos braços da Rússia de Putin. Por enquanto, Pequim não acha graça nenhuma na volta dos Estados Unidos para a região.

Mas a China também está super preocupada com as violações de fronteiras dos russos que podem acabar servindo de precedente para separatismos na própria China. Como nos tempos da Guerra Fria, o jogo de xadrez geopolítico é mundial. Nesse ambiente, os grandes acordos comerciais como a Parceria Trans-Pacífica ou a Parceria Transatlântica com a Europa, continuam importantíssimos.

Mas hoje, eles tem muito mais um valor político - e até militar – do que econômico. Tudo isso é má notícia para a grande maioria dos países do mundo que não tem cacife militar para entrar nesse jogo.

Clique no ícone acima para ouvir a crônica de política internacional de Alfredo Valladão, professor do Instituto de Estudos Políticos de Paris

 

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