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Reportagem

Ilha de Cabo Verde aposta no futebol como meio de inclusão social

Áudio 09:39
Lance do jogo entre o Efiz e o Minifute, duas equipes de futebol sub-14 da Ilha do Sal, em Cabo Verde.
Lance do jogo entre o Efiz e o Minifute, duas equipes de futebol sub-14 da Ilha do Sal, em Cabo Verde. Foto: Elcio Ramalho/RFI

Afastar as crianças das ruas e repassar valores de cidadania e coletividade através do esporte mais popular do planeta. Estes são alguns dos objetivos fixados pelas escolinhas de futebol espalhadas por diversas comunidades carentes da lha do Sal, em Cabo Verde. A iniciativa envolve mais de 350 crianças e adolescentes.

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“Esta é uma forma de trabalhar a inclusão social e dar proteção à infância”, afirma Maria da Luz Lopes, que acompanha atentamente cada jogada de sua equipe, que disputa um dos raros torneios organizados na Ilha do Sal.

Presidente da Efiz (Escola de Futebol Inter-Zonas), Maria da Luz faz questão de incentivar os atletas ao lado do gramado sintético do estádio municipal Marcelo Leitão, que até pouco tempo atrás era o único de Cabo Verde a ter uma pista de atletismo.

“Participar de um evento como este dá mais motivação, mais moral, como gostamos de dizer. Assim, eles frequentam os treinos com mais gosto porque sabem que têm um objetivo”, acrescenta, ao se referir ao entusiamo de seus atletas, que têm entre 6 e 14 anos de idade. O torneio foi organizado por ocasião da Convenção Internacional do Esporte na África e reuniu quatro das cinco escolinhas de futebol criadas nos bairros da Ilha mais turística do país.

Tirar as crianças das ruas

No total, são cerca de 350 crianças e adolescentes que se beneficiam dessa iniciativa recente, de pouco mais de três anos. Faltam recursos financeiros, mas sobra disposição para ajudar uma parte desfavorecida da população local.

Equipe do Efiz, da Ilha do Sal, em Cabo Verde.
Equipe do Efiz, da Ilha do Sal, em Cabo Verde. Foto: Elcio Ramalho/RFI

Maria da Luz é funcionária da Câmara Municipal do Sal e dedica suas horas de folga para dirigir a escolinha de futebol do Chã de Matias, um dos bairros mais pobres do Sal. São mais de 100 crianças entre 6 e 14 anos inscritas nas atividades esportivas que acontecem apenas nos finais de semana, por falta de pessoal e infraestrutura.Um dos critérios para participar do grupo é frequentar regularmente a escola.

“A ideia é afastar as crianças das ruas. Elas vão à escola durante meio período e depois não há nada a fazer. Muitos pais saem cedo de casa para o trabalho, só voltam à noite e ficam sem tempo para cuidar dos filhos”, explica. Segundo ela, os treinos aos sábados e domingos ajudam a transmitir valores importantes para melhorar o convívio social.

“Se não jogarem futebol, as crianças ficam na rua. Assim, conseguimos trabalhar o espírito de grupo”, diz. “Através do futebol, queremos passar outros conhecimentos, outra postura, uma nova perspectiva para suas vidas. Nosso objetivo é trabalhar para dar mais motivação a essas crianças e jovens”, explica a presidente do Efiz.

Objetivo: ser um Tubarão Azul

E motivação não faltou aos atletas na disputa das partidas do torneio, que serviram para avaliar a evolução técnica e o nível das diversas escolas de futebol locais. Durante o intervalo do jogo do Efiz contra o Minifute, pela categoria sub-14, o tom subiu nas discussões com o técnico e entre os próprios atletas, sempre na língua crioula, falada por todos os habitantes da Ilha.

Um pouco mais sereno, Edison de 14 anos, explica em bom português que a bronca dada nos companheiros foi construtiva: “Eles não querem distribuir a bola, só querem fintar, assim não dá. Temos que tocar para chegar ao gol”.

Maria da Luz Lopes, presidente da escola de futebol Efiz.
Maria da Luz Lopes, presidente da escola de futebol Efiz. Foto: Elcio Ramalho/RFI

Mal conclui a frase, aponta para o amigo ao lado e o apresenta como um dos craques do time. Edmilson, também de 14 anos, diz que futuramente pretende ser um Tubarão Azul, como são conhecidos os jogadores da seleção cabo-verdiana. “Jogar futebol é bom, a gente se diverte com os amigos. E jogamos no estilo fair play”, diz o jovem, propagando a mensagem do “jogo limpo” escrita em letras garrafais nas arquibancadas do estádio construído bem no centro de Espargos, a capital da Ilha do Sal.

“Este é um dos nossos valores. Ser jogador de futebol não é apenas estar em campo”, afirma Maria da Luz. “Não tem sido um trabalho fácil. Faltam recursos financeiros e humanos. Mas ao ver a postura deles nesses eventos, vemos que já conseguimos atingir alguns dos nossos objetivos”, diz a presidente do Efiz, com um largo sorriso iluminando seu rosto.

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