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Jornalista/Morte

França investiga morte de jornalista na República Centro-Africana

A fotógrafa francesa Camille Lepage na República Centro-Africana, em fevereiro deste ano.
A fotógrafa francesa Camille Lepage na República Centro-Africana, em fevereiro deste ano. AFP / FRED DUFOUR

A Justiça francesa abriu nesta quarta-feira (14) uma investigação para apurar as circunstâncias da morte da repórter fotográfica Camille Lepage, 26 anos, encontrada morta ontem na região de Bouar, oeste da República Centro-Africana. As primeiras informações apuradas apontam que a jovem francesa foi assassinada em uma emboscada de um grupo armado enquanto trabalhava. Ela é 18ª jornalista morta este ano.

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O corpo de Camille foi encontrado por tropas francesas, que integram a operação Sangaris, em um veículo da milícia anti-balaka com quatro outros mortos. Ela fazia uma reportagem do grupo quando eles foram vítimas de uma emboscada da rebelião ex-Seleka em Gallo, no Oeste da República Centro-Africana, na fronteira com Camarões.

Um responsável militar explicou que a morte da jornalista data de dois dias. “Os confrontos duraram cerca de meia hora e deixaram ao menos 10 mortos, quatro anti-balaka e seis ex-Seleka”, disse a fonte anônima. Logo depois do combate, o grupo com quem Camille trabalhava recolheu os corpos das vítimas e os transportava no veículo interceptado pelos militares franceses.

O presidente François Hollande anunciou a morte da jovem ontem (13) à noite e prometeu implementar todos os meios necessários para esclarecer as circunstâncias do assassinato e encontrar os responsáveis pelo crime.

De acordo com um responsável do ministério da Comunicação, Camille não utilizava colete à prova de balas. “Ela se arriscava e atraía atenção por se expor tanto”, comentou um militar francês.

Jornalista independente

Camille Lepage nasceu na cidade de Angers, Oeste da França, era jornalista independente e filiada à agência Hans Lucas. Seus trabalhos foram publicados no New York Times, Wall Street Journal, The Guardian, BBC, Washington Post, Le Monde, Libération, AFP, entre outros. Apesar de jovem, ela tinha uma experiência considerável na cobertura de conflitos. A repórter fotográfica trabalhou na revolução egípcia em 2011, nos confitos no Sudão do Sul em 2012 e na República Centro-Africana a partir de dezembro de 2012.

A fotógrafa francesa, Camille Lepage, em fevereiro de 2014, durante uma reportagemn em Bangui.
A fotógrafa francesa, Camille Lepage, em fevereiro de 2014, durante uma reportagemn em Bangui. AFP PHOTO / FRED DUFOUR

No Sudão do Sul, em 2012, a jornalista colaborou com a AFP, onde era conhecida por seu “entusiasmo e sede de aprender”, como definiu o responsável pelo serviço de fotografia da África do Leste da agência, Carl de Souza. “Ela sabia exatamente o que fazia”, declarou uma das fundadoras da agência Hans Lucas, Virginie Terrasse.

Em carta que escreveu ao se candidatar a uma vaga, ela se definiu como uma “apaixonada pelas causas esquecidas, pelas pessoas que sofrem em silêncio e por aquelas que ninguém presta atenção, as que ninguém ousa falar sobre”. Quando se candidatou à um estágio no site de informação francês Rue89, Camille redigiu: “Eu me dedico ao jornalismo independente porque, antes de tudo, ele é o único digno”.

A mãe da fotógrafa, Maryvonne Lepage, confirma a motivação e a força do caráter da jovem. “Ela tinha a lógica de cobrir os conflitos que as mídias não se interessavam em noticiar. E procurava sempre trabalhar para os meios de comunicação que têm uma filosofia independente”, lembrou.

Palco de violências

O noroeste da África Central, onde a jovem realizava seu último trabalho, é uma das regiões mais perigosas do continente devido aos confrontos de grupos armados. A República Centro-Africana é palco de violências desde que a rebelião ex-Seleka, de maioria muçulmana, intensificou os ataques contra os cristãos no país, que representam 80% da população. O grupo anti-balaka é integrada por cristãos hostis ao ex-Seleka e se formou devido ao terror da população contra esta milícia violenta.

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