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Fato em Foco

Morte de fotógrafa independente na África gera discussões sobre segurança

Áudio 07:01
Foto de André Liohn, prêmio Medalha de Ouro Robert Capa, 2012.
Foto de André Liohn, prêmio Medalha de Ouro Robert Capa, 2012. Divulgação

A fotógrafa indepedente francesa Camille Lepage, de 26 anos, foi encontrada morta na terça-feira (13), na República Centro-Africana. As primeiras informações apuradas apontam que a jovem francesa foi assassinada em uma emboscada de um grupo armado enquanto trabalhava. O incidente provocou discussões sobre a segurança de jornalistas e fotógrafos, além da responsabilidade de Estados e organismos internacionais.

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Apesar de ser jovem, Camille tinha uma boa experiência, tendo já trabalhado na revolução egípcia em 2011, nos confitos no Sudão do Sul em 2012 e estava na República Centro-Africana a partir de dezembro de 2012.

Muitos testemunhos falam da dedicação e profissionalismo de Camille. Mas há também a informação de que ela não estaria usando colete contra balas, e assim teria se exposto demais. Sindicatos na França aproveitam para lembrar que muitas empresas utilizam a colaboração de jovens profissionais, sem vínculo empregatício e sem assistência especial.

Crime de guerra

A ONG Repórteres sem Fronteiras reivindica a transformação de crimes contra jornalistas em zonas de conflito em crimes de guerra. Christophe Deloire é presidente da organização: “Enquanto não houver ações por parte do Estado e instituições, não vamos conseguir diminuir o número de jornalistas mortos durante o exercício de suas funções, recorde que infelizmente temos batido nos últimos anos”.

Deloire argumenta que a taxa de impunidade para os crimes cometidos contra os jornalistas é muito alta, “superior a 90%”. Isso incentiva os envolvidos nos conflitos a ter os profissionais como alvos.

Garantias de segurança e integridade

O paulista André Liohn, 41 anos, é o único latino americano a ter recebido o prêmio Robert Capa de fotografia de guerra, o mais importante da categoria, em 2012, por seu relato visual do conflito na Líbia. Ele também fotografou a violência na Somália, na Síria e Haiti.

Em sua opinião, a empresa que o contrata precisa, antes de tudo, “garantir que seu trabalho será tratado com respeito e integridade”. Além disso, Liohn a contratante também deve oferecer “condições técnicas e materiais” para ele chegar ao local em segurança, com um pagamento consequente. “Você se expõe a situações muito críticas – físicas, emocionais e intelectuais”, diz o fotógrafo.

Liohn acrescenta que há “muitos jovens que vão a locais de conflito sem nenhuma segurança – seja de que o trabalho vai ser tratado com respeito ou econômica – e isso é um problema muito sério”.
 

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