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Eleições Europeias

Extrema-direita francesa vence eleição para o Parlamento Europeu

A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen.
A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen. REUTERS/Benoit Tessier

Vinte e um países da União Europeia votaram neste domingo (25) na última etapa das eleições para renovar o Parlamento Europeu. Na França, a extrema-direita de Marine Le Pen venceu o pleito, tornando-se a primeira força política do país, à frente do partido conservador UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, e do Partido Socialista, do presidente François Hollande, segundo pesquisa de boca de urna do instituto Ipsos. Nos outros países do bloco, como previam as pesquisas, os partidos "eurocéticos" e extremistas tiveram boa votação.

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Na França, o partido de extrema-direita Frente Nacional, de Marine e Jean-Marie Le Pen, conquistou uma vitória histórica com 25% dos votos, segundo a pesquisa do Ifop. O partido conservador UMP ficou em segundo lugar (20%), o Partido Socialista, do presidente François Hollande, em terceiro (14%), à frente dos centristas do Modem (10%), dos Verdes (9%) e da Frente de Esquerda (6%). O nível de abstenção foi de 57%.

A França envia 74 deputados ao Parlamento Europeu. A Frente Nacional, partido nacionalista e xenófobo, que prega a saída da França da União Europeia, poderá eleger pelo menos 20 eurodeputados, contra três atualmente.

Aos 85 anos e eleito para um sétimo mandato no Parlamento Europeu, Jean-Marie Le Pen, assim como sua filha Marine Le Pen, que hoje dirige o FN, pediram ao presidente François Hollande, que amarga a segunda derrota eleitoral em dois meses, a dissolução da Assembleia Nacional e a convocação de novas eleições.

Reações

O presidente François Hollande declarou que será preciso "tirar lições" desse resultado. Hollande convocou o primeiro-ministro Manuel Valls e vários ministros para uma reunião na manhã de segunda-feira (26). Assessores palacianos disseram que este resultado "não corresponde ao papel da França, à sua imagem, à sua ambição".

Para o partido conservador UMP, a lição das urnas também é dura. O secretário-geral Jean-François Copé assume "parte do fracasso", enquanto caciques do partido como o ex-primeiro-ministro Alain Juppé e o deputado Bruno Le Maire defendem uma reformulação completa da legenda e uma orientação "mais transparente".

Ouvido pela RFI, o cientista político Gaspard Estrada, do Instituto de Estudos Políticos de Paris (SciencesPo) afirmou que "esse resultado mostra que os franceses não estão contentes com o processo de construção da União Europeia, consideram que ele afeta os interesses da França, e decidiram mandar ao Parlamento deputados que são contra essa linha de integração".

"Hoje em dia, o Parlamento Europeu tem poderes fortes, então é um paradoxo os franceses elegerem deputados que estão contra a Europa". O analista estima que o crescimento dos partidos eurocéticos e extremistas deve ser interpretado como um "sinal forte" para as elites europeias.

Euroceticismo cresce no bloco

As pesquisas previam um crescimento dos partidos antieuropeus, de extrema-direita, neonazistas e "eurocéticos" no próximo Parlamento Europeu e essa tendência se confirma.

Na Grécia, o Syrisa, partido radical de esquerda, chegou em primeiro lugar, à frente do conservador Nova Democracia, o partido no governo, e em terceiro ficou o neonazista Aurora Dourada, que pode levar pelo menos dois deputados a Estrasburgo.

Na Alemanha, o conservador CDU, de Angela Merkel, venceu a eleição, mas o novo partido AFD, que defende o fim da zona do euro, teve cerca de 7% dos votos. Pela primeira vez, o partido neonazista alemão NPD deve ter um representante no Parlamento Europeu.

Mesma tendência eurocética no Reino Unido, onde o partido independentista britânico Ukip é dado como vencedor da eleição. Na Dinamarca, o Partido do Povo Dinamarquês, anti-imigração, também lidera as pesquisas de boca de urna.

Os resultados oficiais serão divulgados às 23h, no horário local, 19h em Brasília, quando a votação terminar na Itália.

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