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França/Imprensa

Juan Carlos, Taubira e Pelé dividem manchetes desta terça

O rei Juan Carlos (d) conversa com seu filho, o princípe Felipe, que assumirá o trono da Espanha
O rei Juan Carlos (d) conversa com seu filho, o princípe Felipe, que assumirá o trono da Espanha Reuters

Com o filho Felipe ao fundo, o rei Juan Carlos estampa a capa de quase todos os jornais franceses desta terça-feira (3). A imagem do monarca, que abdicou ontem depois de quase quarenta anos de reinado, divide as primeiras páginas com a da ministra francesa da Justiça, Christiane Taubira. Hoje, sua reforma penal foi enviada ao Parlamento, depois causar um tsunami político tanto à esquerda quanto à direita.

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O Libération fez um ponto-a-ponto da reforma penal que a ministra da Justiça, Christiane Taubira, levou à Assembleia, mostrando o que ela deveria ter sido e o que foi de fato. As disparidades são tamanhas que, no editorial, o Libé afirma que a direita, que acusou a ministra de ser condescendente com a criminalidade, deveria comemorar o texto que chega ao Parlamento.

O ponto-chave da reforma - criar um novo regime penal, que substituísse a prisão por penas alternativas e priorizasse a reintegração do crimininoso em detrimento da punição - não deve ser atingido. Isso porque Taubira não teve força política sequer internamente para defender a integralidade da reforma. O próprio primeiro ministro Manuel Valls já se disse contrário a "quase todos os pontos" do texto.

Disposições essenciais como a condicional automática ou a liberdade assistida para delinquentes de baixa periculosidade seguem para a Assembleia tão descaracterizados que o Libération afirma em editorial que eles vão funcionar mais como novas sanções do que como alternativas. Na capa, o jornal resume tudo com ironia: Juan Carlos abdica... E Taubira também.

O papel histórico de Juan Carlos

O diário conservador Le Figaro reconhece que Juan Carlos vinha numa espiral decadente, com frequentes problemas de saúde, membros da família real enfrentando processos por corrupção e escândalos, como quando ele resolveu caçar elefantes no Botsuana, enquanto a Espanha sucumbia à crise.

Mas, de acordo com o jornal, ao abdicar do trono priorizando o bem do país sobre qualquer outro interesse, Juan Carlos restaura o prestígio da Monarquia e dá ao sistema uma nova chance de ser representativo no futuro. "O grande trunfo do reinado de Juan Carlos, instalado no trono pelo ditador Francisco Franco, foi perceber que seu papel histório era assegurar a transição democrática, o que ele fez em 1981", afirma Le Figaro.

Pelé en France

A capa do Aujourd'hui en France anuncia uma entrevista exclusiva com uma "lenda". Mas pra gente, é o Rei Pelé mesmo. A pouco mais de uma semana do início da Copa no Brasil, ele fala do Mundial, da situação sócio-política no Brasil, de Diego Maradona, garante que faz de tudo "para continuar sendo um exemplo" e oscila entre o entusiasmo e o saudosismo: por um lado, ele diz que, depois dele, houve muitos outros Pelés; mas jura que, em sua época, o futebol era muito mais espetacular.
 

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