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Linha Direta

Conferência internacional discute violência sexual em guerras

Áudio 04:29
Angelina Jolie e William Hague, na abertura da Conferência internacional em Londres, em 10 de junho de 2014.
Angelina Jolie e William Hague, na abertura da Conferência internacional em Londres, em 10 de junho de 2014. REUTERS/Carl Court/pool

Uma conferência internacional discute a violência sexual em conflitos armados em Londres. O encontro foi aberto ontem pelo ministro do Exterior britânico, William Hague, e pela atriz Angelina Jolie, que também é embaixadora do Comissariado para Refugiados da ONU. Os dois líderes pediram para que os mais de cento e quarenta países que participam da reunião adotem a prevenção de estupros e outros atos de violência contra mulheres como parte obrigatória do treinamento militar. Esta é a primeira vez que se organiza uma conferência deste porte para discutir um problema que afeta milhares de famílias em dezenas de países em guerra.

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Por Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

A conferência internacional é o resultado de dois anos de uma campanha do Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha e da ONU. Nesse período, o ministro William Hague e a atriz Angelina Jolie visitaram zonas de conflito e conversaram com vítimas de estupros em países da África, da Ásia e até da Europa. O ministro disse que os depoimentos mostraram que a violência sexual foi e continua sendo usada sistematicamente como uma arma de guerra e é um dos piores crimes em massa dos tempos atuais.

Um dos exemplos citados pela campanha que está por trás da conferência é o do conflito na Bósnia. A ONU acredita que nos três anos da guerra, de 1992 a 1995, até 50 mil mulheres e crianças sofreram estupros. Na República Democrática do Congo, só no ano passado, foram mais de 800 casos de estupro. Hoje, a ONU diz que o problema ocorre ou tem risco de ocorrer em pelo menos 21 países, inclusive na Colômbia e na Síria. O recente caso do sequestro de duzentas meninas na Nigéria também foi lembrado.

Impunidade é um dos piores problemas

Na Bósnia, por exemplo, menos de 70 pessoas foram condenadas por esses crimes. Ontem, na abertura da conferência, tanto Hague quanto Angelina Jolie reforçaram a ideia de que a impunidade impera nesses países e muitas vítimas se sentem envergonhadas, humilhadas e têm dificuldades de superar o trauma.

Além dos representantes de mais de 140 países, o encontro reúne médicos, psicólogos, ONGs, líderes religiosos e sobreviventes do conflito. Um evento paralelo com palestras, projeções de filmes e espetáculos artísticos também está ocorrendo na tentativa de chamar a atenção da população para o problema.

Ontem, o papa Francisco fez um apelo em sua conta no Twitter para que se reze pelas vítimas desse tipo de violência e pelas pessoas que combatem esse crime. Ele usou a hashtag TimetoAct – hora de agir – que é a marca oficial da campanha da ONU.

Protocolo internacional

O ministro William Hague já anunciou uma ajuda de mais de quatro milhões de libras – quase cinco milhões de euros ou quinze milhões de reais – ao fundo das Nações Unidas que ampara mulheres vítimas de violência, principalmente para ajudar essas vítimas a reconstruir suas vidas. Até o fim do encontro, os organizadores esperam lançar um protocolo internacional para documentar e investigar casos de violência sexual em conflitos, e para obrigar os países signatários a incluir no treinamento de seus militares táticas para evitar esse tipo de crime. Eles também deverão apoiar as vítimas.

A ONU quer criar uma consciência de que o estupro coletivo e outros crimes não são uma parte inevitável das guerras e precisam ser combatidos. O secretário de Estado americano, John Kerry, está sendo aguardado na sexta-feira aqui em Londres para participar do lançamento e da assinatura desse protocolo.

Participação brasileira

No ano passado, o Brasil assinou a declaração da Assembleia Geral da ONU contra o uso da violência sexual como arma em conflitos armados, o que abriu caminho para o encontro que está sendo realizado em Londres. Além disso, a Embaixada da Grã-Bretanha no Brasil está organizando eventos para conscientizar a população e as autoridades brasileiras.

Na segunda-feira, foi feito um debate com a Universidade de Brasília, a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres e representantes da Embaixada britânica. Os britânicos dizem que o Brasil tem muito a contribuir por causa da experiência no comando da Minustah, no Haiti, por causa de atuações na Guiné-Bissau e também pela experiência da pacificação nas favelas do Rio.

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