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França/Política

Jornais avaliam "contra-ataque" do ex-presidente Sarkozy

Capa dos jornais franceses Aujourd'hui en France, Libération, Le Figaro e Les Echos desta quinta-feira, 3 de julho de 2014.
Capa dos jornais franceses Aujourd'hui en France, Libération, Le Figaro e Les Echos desta quinta-feira, 3 de julho de 2014.

Os problemas do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy com a Justiça continuam dominando as manchetes dos jornais nesta quinta-feira (3). Na quarta-feira, ele foi indiciado por corrupção ativa e tráfico de influência. O ex-chefe de Estado se defendeu das acusações em uma entrevista transmitida à noite pela televisão. Foi a sua primeira aparição na mídia desde que deixou o palácio do Eliseu, em 2012.

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Os jornais desta quinta-feira adotam tons mais severos tanto para atacar quanto para defender Nicolas Sarkozy. Libération é taxativo em sua manchete: "A retórica do complô". O jornal de esquerda afirma que a única coisa que Sarkozy pôde dizer em sua defesa foi denunciar "a instrumentalização política da Justiça".

"Indiciado, o ex-chefe de Estado se apresentou como vítima de uma justiça militante", explica Libération. No editorial, o diário aponta que essa teoria de um complô de juízes e policiais de esquerda para desacreditar Sarkozy é absurda. "Essa argumentação insignificante atesta mais uma vez o desprezo do ex-chefe de Estado pela instituição judiciária, e sobretudo revela a fraqueza dos argumentos da sua defesa", aponta Libération, acusando Sarkozy de não ter oferecido nenhuma resposta concreta às acusações graves de corrupção ativa.

Perseguição

Le Figaro continua defendendo o ex-presidente francês. Para o jornal de direita, era normal que Sarkozy fosse à televisão se defender diante de juízas que parecem fazer desse caso um "combate pessoal", e a esquerda não tem por que denunciar uma ameaça à independência da Justiça.

O diário conservador avalia que métodos "fora do comum" foram usados nas investigações envolvendo Sarkozy e qualifica de "degradante" a detenção provisória do ex-chefe de Estado, um fato inédito na história da República francesa. Le Figaro afirma que apesar do Executivo socialista negar, a esquerda parece perseguir Sarkozy com um "sentimento de vingança". Se as novas suspeitas contra o ex-presidente forem falsas, ficará demonstrado, segundo o jornal conservador, "que um poder encurralado promoveu uma perseguição judiciária contra um adversário detestado, com o objetivo de obter sua morte política".

Retorno à política

Aujourd'hui en France também prevê que a cena política vai ficar agitada nas próximas semanas. "E se a campanha de 2017 já tivesse começado?", pergunta o diário popular. Para o jornal, com a sua denúncia de "instrumentalização política" da Justiça, Sarkozy pretende atingir o presidente socialista, François Hollande.

Aujourd'hui en France publica o resultado de uma sondagem exclusiva realizada durante e após a "espetacular" detenção do ex-presidente. Para 63% das pessoas entrevistadas, Sarkozy está sendo tratado pela Justiça como um cidadão comum. Já entre os eleitores da direita, 80% acreditam que ele é tratado de maneira especialmente severa.

A pesquisa também mostra que a popularidade do ex-presidente não caiu entre os simpatizantes da direita, mesmo após seu indiciamento. Ele ainda é o nome mais cotado para presidir o partido UMP, com 25% da preferência. Sarkozy continua o nome mais citado entre os eleitores de direita para disputar a presidência em 2017. O diário nota, no entanto, que ele perde terreno em favor de Alain Juppé, outro líder da direita francesa que também já teve sua cota de problemas com a Justiça.

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