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Ucrânia/Catástrofe

Jornais analisam possíveis repercussões de desastre aéreo na Ucrânia

Restos calcinados do Booeing 777 da Malaysia Airlines, derrubado perto de Grabovo, na região de Donetsk, nesta quinta-feira (17).
Restos calcinados do Booeing 777 da Malaysia Airlines, derrubado perto de Grabovo, na região de Donetsk, nesta quinta-feira (17). REUTERS/Maxim Zmeyev

Os mistérios que cercam o desastre ocorrido nesta quinta-feira (17) com um Boeing da Malaysia Airlines, provavelmente derrubado por um tiro de míssil quando sobrevoava o leste da Ucrânia, ocupam as manchetes dos jornais franceses desta sexta-feira (18). A imprensa aponta que a catástrofe que matou 298 pessoas pode marcar uma virada decisiva no conflito ucraniano.

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"Guerra em pleno céu", diz a manchete de Libération, fazendo referência às trocas de acusações entre os rebeldes separatistas armados por Moscou e o governo ucraniano. "Essa tragédia deve incitar a comunidade internacional a encontrar uma solução perene para essa guerra no coração da Europa", escreve o jornal progressista em seu editorial.

O diário aponta que o presidente russo, Vladimir Putin, mina a autoridade do governo ucraniano, eleito de forma legítima, ao posar como "um defensor das minorias russas que estariam ameaçadas". Uma atitude que está sendo alvo de sanções por parte de norte-americanos e europeus. "A França, que se prepara para entregar dois navios de guerra à flotilha russa, será novamente acusada de fazer jogo duplo. Ela se declara favorável a sanções, mas se recusa a aplicar um embargo que seria ao mesmo tempo eficaz e forte do ponto de vista simbólico", explica Libération.

Virada

Já para o conservador Le Figaro, a queda do Boeing 777 representa uma virada na crise ucraniana. Em seu editorial, o jornal diz que, se for confirmado que o avião foi derrubado porum míssil, seria "um crime imperdoável". "Na grande guerra midiática e diplomática que está sendo travada ao redor do planeta, o campo responsável perderá uma batalha crucial", analisa Le Figaro. Depois dessa "monstruosidade", nas palavras do diário, fica impossível para qualquer que seja o culpado - os separatistas pró-russos ou o governo de Kiev - defender sua causa.

Le Figaro também nota o quão surpreendente é o fato de que a Malaysia Airlines esteja novamente envolvida em uma tragédia, quatro meses após o desaparecimento do voo MH370. "Mas, desta vez, o mistério será mais fácil de ser desvendado", indica o jornal, lembrando que há testemunhas oculares, registros de satélites norte-americanos e russos e talvez até mesmo as caixas-pretas do aparelho.

Eficácia das sanções contra a Rússia

Les Echos se pergunta se, em condições cada vez mais tensas, as sanções adotadas por americanos e europeus contra a Rússia são úteis. O jornal especializado em economia afirma que, para que sejam eficazes, "as sanções devem ser aplicadas pelo maior número possível de países, como é o caso do Irã ou como foi o caso com a África do Sul". Elas precisam também, segundo Les Echos, ter um objetivo claro, como obrigar o Irã a negociar sobre seu programa nuclear ou visar o regime do apartheid. "O que não é possível com a Rússia, membro permanente do Conselho de Segurança e que, graças a seu direito de veto na ONU, pode limitar o alcance das sanções", explica o editorial do diário.

Além disso, o jornal aponta que os europeus não estão todos de acordo quanto às sanções, já que a Alemanha depende muito do gás russo e a França não quer cancelar a venda de navios de guerra para a Rússia. Mas Putin também deve tomar cuidado, segundo Les Echos, porque corre o risco de isolar ainda mais uma economia russa já abalada. "O drama da Malaysia Airlines enfatiza a urgência em tratar dessa crise", conclui o editorial.

Risco de escalada

A foto do Boeing 777 sob a palavra "Abatido" em letras garrafais estampa a primeira página do Aujourd'hui en France. Esse tabloide popular também aponta o risco de uma escalada do conflito ucraniano após o desastre de ontem. "Já podíamos ficar muito preocupados diante da guerra entre Israel e o Hamas", afirma o jornal em seu editorial, completando que agora a tensão é igualmente perigosa bem nas portas da Europa.

E essa não é a única tragédia na capa do tabloide popular nesta sexta-feira. Logo abaixo da manchete, uma foto mostra um acidente de trem que aconteceu na véspera, no sudoeste da França. Um trem regional bateu em um trem-bala, deixando 40 pessoas feridas, três delas em estado grave. Ainda não se sabe quais foram as causas do acidente. Esse novo desastre aconteceu pouco mais de um ano após o descarrilamento de um trem em Brétigny-sur-Orge, na região parisiense, que deixou 7 mortos e 32 feridos.

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