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Linha Direta

Identificação de corpos de vítimas de MH 17 será complicada

Áudio 04:47
Os corpos foram transportados do local do acidente para vagões refrigerados.
Os corpos foram transportados do local do acidente para vagões refrigerados. REUTERS/Maxim Zmeyev

Uma comissão internacional de peritos em identificação de corpos, liderada por representantes do governo da Holanda, chegou hoje à cidade de Carcóvia, no leste da Ucrânia, para receber o trem no qual estão sendo depositados os corpos das vítimas do voo MH 17. Os cadáveres vinham sendo armazenados em vagões resfriados na cidade de Torez, a 15 quilômetros do local da queda do Boeing 777 da companhia Malaysia Airlines, que realizava o voo Amsterdã-Kuala Lumpur na quinta-feira.

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Andrei Netto, enviado especial do jornal O Estado de São Paulo em colaboração especial para a RFI

O trabalho de investigação da identidade dos corpos já encontrados ainda não foi iniciado, porque a região na qual os separatistas estão no poder não teve condições de realizá-lo. Dois fatores que complicarão o trabalho dos peritos são o fato de que muitos dos corpos estão nus e sem documentos, em razão da queda de 10 mil metros, e muitos cadáveres não estão em bom estado de conservação. Há também um número elevado de passageiros e tripulantes que foi carbonizado no incêndio iniciado após a queda, o que, com certeza, exigirá exames de DNA.

Quanto aos desaparecidos, o trabalho de busca em uma zona com um raio de 10 quilômetros continua. A dificuldade é que as equipes de resgate profissionais do governo da Ucrânia estão em número muito reduzido. É preciso contar com a colaboração de mineiros da região de Donetsk, que realizam esse trabalho de forma voluntária e amadora. O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Iatseniouk, informou que 272 corpos foram encontrados. 251 já estão em um compartimento refrigerado.

Investigações sobre a queda do voo MH17

O trabalho de investigação sobre as causas do acidente será muito dificultado pelas circunstâncias atuais do campo no qual o avião da Malaysian caiu. Esse local, uma espécie de "cena do crime" na Ucrânia, não está sendo preservado pelos separatistas. Ao contrário: durante as primeiras 48 horas, tudo parece ter sido feito para encontrar as caixas-pretas e apagar traços que permitam chegar a uma resposta.

Em todo caso, ao que tudo indica, a aeronave foi de fato abatida por um disparo de míssil feito por uma bateria antiaérea. Os governos de Estados Unidos e Ucrânia afirmam que esse projétil partiu da região dominada por separatistas.

Região de Donetsk reage à tragédia

Nesse momento, é difícil dizer se o apoio aos separatistas pró-Rússia continua. Em comparação a algumas semanas atrás, Donesk é hoje uma cidade semi-deserta. Muitos de seus moradores deixaram a região de Donbass com medo da ofensiva do Exército, que já foi anunciada pelo presidente da Ucrânia, Petro Porochenko. Além disso, não há pesquisas de opinião independentes que permitam ter uma amostra consistente do que a população local pensa do conflito.

Nas ruas, há um sentimento de inconformidade com a queda do voo MH17 e a tragédia de Gabrovo, mas os moradores me parecem divididos entre recriminar os separatistas, como os Estados Unidos e a Ucrânia estão fazendo, e defendê-los, como a Rússia de Vladimir Putin faz. Além disso, percebe-se uma fadiga do conflito.

Até as eleições presidenciais de 25 de maio passado, ainda se percebia algum entusiasmo de uns poucos militantes do movimento separatista República Popular de Donetsk. Hoje não há nenhum traço visível de apoio popular à sequência dessa luta.

 

 

 

 

 

 

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