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Reportagem

Perseguições religiosas escondem motivações políticas e econômicas

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Um iraquiano rezando, com um Corão e um crucifixo, em uma igreja de Bagdá. 20 de julho de 2014.
Um iraquiano rezando, com um Corão e um crucifixo, em uma igreja de Bagdá. 20 de julho de 2014. REUTERS/Ahmed Malik

Milhares de pessoas morrem todo ano por causa da sua fé. Católicos são vítimas de perseguições, assim como muçulmanos e judeus. Especialistas acreditam que, mais do que um conflito religioso, as disputas são causadas por questões econômicas e políticas.

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Rhossane Lemos, em colaboração especial para RFI

Mais de um terço da população mundial é cristã. Eles são ligados a várias igrejas e filosofias como católica, anglicana, protestante, ortodoxa, espírita, entre outras. Os cristãos são maioria em dois terços do território global. Mas em algumas regiões do mundo, minorias cristãs estão sendo perseguidas.
Em Mossul, que fica no norte do Iraque cerca de 3 mil cristãos foram ameaçados de morte recentemente pelos jihadistas do grupo Estado Islâmico. Eles tiveram suas casas marcadas com inscrições ofensivas. O grupo de cristãos teve que fugir às pressas e buscar refúgio na província vizinha do Curdistão.

O diácono e doutor em Teologia Alder Calado lembra que as perseguições religiosas são históricas e em algumas épocas também foram protagonizadas pelos próprios cristãos. “Nós temos uma história desde a inquisição muito sombria e que plantou muito ódio no mundo. Certamente, apesar dos séculos, isso repercute hoje de alguma maneira nas relações com nossos irmãos muçulmanos”, conta Calado.
Os países mais perigosos para a comunidade cristã estão na África, Ásia e Oriente Médio. Para a presidente do Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec, Claudia Bonmartin, os conflitos sempre começam a partir de decisões de grupos extremistas. “Existem perseguições, mas principalmente vindas da parte de extremistas. Atualmente, existe uma onda de extremismos que está provocando problemas em todas as religiões, inclusive dentro de suas próprias religiões”, revela Bonmartin.

Não é uma questão de fé

Para o diretor executivo do Instituto Latino Americano de Estudos Islâmicos, xeique Abdelbagi Osman, esses conflitos radicais, como o que acontece na região de Gaza entre judeus e muçulmanos, não são uma questão de fé. Recentemente, em pleno Ramadã, mesquitas foram bombardeadas e centenas de palestinos muçulmanos, que buscaram refúgio na Igreja Santo Porfírio, foram alvo de bombas israelenses. Para o xeique Osman, “a religião está fora de questão. Em Israel existem interessados. É a cúpula que está dirigindo o Estado de Israel que está massacrando e controlando a liberdade de mulçumanos, cristãos, e também de judeus”.
Para o professor doutor em Sociologia e Pastor da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, Valdinei Aparecido Ferreira, a intolerância religiosa e o desrespeito ao direito de expressão são frutos da falta de democracia. “O cristianismo sofre porque é uma fé militante que precisa de liberdade de expressão para existir. É bom quando se tem a liberdade religiosa, mas não dá para separar a liberdade religiosa, das demais liberdades. Onde existe democracia, existe liberdade de consciência”, concluiu Ferreira.
Várias manifestações estão previstas para acontecerem nesse fim de semana, na Europa e no Brasil reunindo diferentes religiões, em solidariedade às vítimas na região de Gaza e pela paz.
 

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