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Linha Direta

Epidemia de ebola não compromete cúpula EUA-África em Washington

Áudio 05:56
A crise causada pela epidemia de ebola na África entrou para a pauta da cúpula.
A crise causada pela epidemia de ebola na África entrou para a pauta da cúpula. AFP PHOTO/Paul J. Richards

Em meio ao surto de ebola que se espalha na África Ocidental, cerca de 50 líderes africanos estão esta semana em Washington para participar da Cúpula de Líderes da África e dos Estados Unidos. Mesmo no atual momento de graves crises internacionais, esse evento inédito está recebendo especial atenção de Barack Obama, e faz com que tanto analistas quanto os americanos em geral se perguntem por que a parceria com a África parece ser a atual prioridade da Casa Branca.

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Por Lígia Houghland, correspondente da RFI Brasil em Washington

A Casa Branca está dando tanta atenção à África porque parece finalmente ter acordado para o fato de que, se os Estados Unidos não cortejarem devidamente o continente,  podem perder muito em termos econômicos, além de ameaçar sua posição de líder global. Na coletiva de imprensa concedida por Obama na sexta-feira passada, ele especificamente mencionou o interesse da China e do Brasil no continente africano, alertando que os Estados Unidos não poderiam ficar atrás desses concorrentes.

Além disso, desde que Obama foi eleito em 2008, era esperado que ele, por ter pai africano, mostrasse mais interesse no continente. Mas o presidente americano, depois de fazer uma visita breve a Gana, em 2009, ficou quatro anos sem aparecer no continente e, ao contrário de seu antecessor, George W. Bush, que lançou um programa de US$15 bilhões focado em HIV e AIDS, Obama não apresentou nenhuma grande iniciativa com a África. Esta cúpula parece também ser uma corrida contra o tempo na esperança de o presidente democrata ainda deixar um legado que pode marcar o início de uma sólida e necessária parceria dos Estados Unidos com a África.

Parceria importante

Como a Casa Branca tem afirmado constantemente, a África tem seis das dez economias mundiais que crescem mais rapidamente e, portanto, simplesmente não pode ser ignorada. Os Estados Unidos já estão bem atrás da China, que é o maior parceiro comercial da África. Em 2012, a China já tinha atingido quase que US$200 bilhões  em trocas comerciais com o continente, enquanto que os Estados Unidos mal chegaram àa metade desse valor.
Mas a Casa Branca afirma que o interesse americano na África vai bem além de uma concorrência com a China e é bem mais abrangente, não se restringindo apenas a petróleo e minerais, mas envolvendo também agricultura, alimentos e energia, entre outras indústrias.

Além disso, não é possível ignorar que o continente africano sofre com terrorismo islâmico, como o grupo Boko Haram na Nigéria e o Al Shabaab na África Oriental, e Washington tem grande interesse em combater esse grupos.

Interesse da África pelos EUA

Os líderes africanos estão contando com que a cúpula em Washington traga grandes investimentos para seus países que, apesar de estarem crescendo rapidamente, ainda enfrentam desafios de necessidades humanas básicas, como mostra a epidemia de ebola na Libéria, Guiné e Serra Leoa.
E, apesar de os Estados Unidos estarem querendo mudar o foco do seu relacionamento com a África tornando esse menos de ajuda humanitária e mais de parceria comercial, o governo americano sabe que vai ser preciso ainda injetar bastante investimentos para que o continente possa oferecer também melhores condições de vida às suas populações. Aliás, durante um encontro com jovens africanos no ano passado, Obama falou que o interesse dos Estados Unidos no continente se deve ao fato desse ter uma economia com grande potencial e ser um mercado para a venda de mais iPads e outras tecnologias, lembrando que os Estados Unidos não veem a África somente como um caso de caridade.

Epidemia de Ebola

O surto de ebola certamente tirou um pouco a força do foco principalmente econômico que o governo americano queria que a cúpula tivesse. Na verdade, alguns dias antes de a cúpula começar e com os presidentes da Libéria e de Serra Leoa cancelando a participação deles por causa da epidemia, algumas pessoas nos bastidores de Washington chegaram a sugerir que o evento fosse cancelado. Mas a Casa Branca rejeitou a ideia e assegurou que todas as devidas precauções seriam tomadas e que não havia porque a cúpula não ser realizada.

Os analistas acham que o evento pode ter excelentes resultados a médio e curto prazos para a economia americana e esperam que os investidores não se assustem por causa do surto de ebola, pois isso seria um desperdício de oportunidade.

E, ao que tudo indica, os líderes africanos devem deixar Washington satisfeitos, pois os Estados Unidos estão aproveitando a cúpula para anunciarem uma entrada de cerca de US$1 bilhão na África em negócios, mais investimentos em iniciativas para promover a paz, além de bilhões de dólares para a ampliação de programas de alimentos e energia no continente.

 

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