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França/Imprensa

Imprensa francesa desconfia de indecisão de Sarkozy sobre retorno à vida política

"O dever é minha motivação", disse o ex-presidente Nicolas Sarkozy à revista Valeurs Actuelles que chegou às bancas nesta quarta-feira (6)..
"O dever é minha motivação", disse o ex-presidente Nicolas Sarkozy à revista Valeurs Actuelles que chegou às bancas nesta quarta-feira (6).. http://www.valeursactuelles.com/

Um possível retorno à cena política do ex-presidente Nicolas Sarkozy é o principal assunto dos jornais franceses nesta quinta-feira (7). Sarkozy concedeu uma entrevista à revista Valeurs Actuelles, que chegou às bancas ontem, na qual diz que ainda não tomou sua decisão sobre uma futura candidatura à presidência do partido UMP, o principal da direita francesa. Um parte da imprensa desconfia desta hesitação, apostando em mais uma jogada de marketing do ex-presidente.

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O Aujourd'hui en France acredita que essa hesitação de Sarkozy não passa de puro charme, "um cartão postal" que ele envia para os eleitores franceses das férias que passa na Côte d'Azur, no sul da França.

"Antes de viajar com a família para Bali, entre um jogging e uma volta de bicicleta, Nicolas Sarkozy concede uma entrevista para a revista Valeurs Actuelles dizendo que ele ainda não tomou sua decisão de lutar pela presidência da UMP". Mas, interiormente, diz o jornal, Sarkozy deve estar "borbulhando de vontade" de assumir seu retorno.

Segundo as previsões do Aujourd'hui en France, entre o fim de agosto e o começo de setembro, Sarkozy deve anunciar sua candidatura não para a liderança de seu partido, mas para as presidenciais de 2017.

Provocação

O jornal de esquerda Libération classifica a entrevista que Sarkozy concedeu à ultraconservadora revista como "teasing", ou seja, provocação.  "O dever é minha motivação", sublinhou o presidente à Valeurs Actuelles. Para o diário de esquerda, além de ser um grande marqueteiro, o ex-presidente tem também uma grande dificuldade de renunciar a esse "sonho de glória".

O jornal lembra que há mais de um ano, também em uma entrevista à essa revista, Sarkozy dizia que só voltaria à cena política caso a França julgasse necessário e que somente assim ele aceitaria "se sacrificar" em prol do "dever".

Libération garante que antes de se assumir para a corrida presidencial de 2017, Sarkozy vai ter que mobilizar seu partido, onde sua popularidade não é das melhores. Alguns membros da UMP são categoricamente contra a sua volta e alegam que este eventual retorno atrapalharia a renovação da legenda, ainda muito abalada pela investigação de seu principal líder por corrupção e tráfico de influência.

Grande preocupação dos socialistas

Le Figaro comemora em sua manchete de capa uma possível volta de Sarkozy à cena política francesa, dizendo que essa possibilidade "atrapalha o verão" do atual chefe de Estado. François Hollande, mesmo de férias, acompanha o desenrolar de uma futura candidatura de seu rival à presidência do partido UMP, que pode desembocar na apresentação de Sarkozy às eleições presidenciais de 2017, publica o diário conservador.

O jornal avalia que essa volta de Sarkozy, tão aclamada por grande parte da direita francesa, será a principal preocupação dos socialistas no segundo semestre deste ano. Le Figaro diz que tanto direita como esquerda já sabiam da determinação do ex-presidente.

O jornal entrevistou um próximo de François Hollande, que não quis se identificar, e diz que o chefe de Estado está consciente "da força, do poder, do dinamismo e da capacidade" de Sarkozy.

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