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Reportagem

Livro bombástico de ex-primeira-dama francesa narra tentativa de suicídio

Áudio 05:27
A antiga primeira-dama francesa, Valérie Trierweiler, escreveu um livro sobre os anos em que viveu com o Presidente François Hollande.
A antiga primeira-dama francesa, Valérie Trierweiler, escreveu um livro sobre os anos em que viveu com o Presidente François Hollande. REUTERS/Charles Platiau

O livro bombástico da ex-primeira dama francesa Valérie Trierweiler, que chegou nesta quinta-feira (4) às livrarias na França, já é um sucesso de vendas. “Merci pour ce moment” (Obrigada por este momento, em tradução livre) conta os detalhes da separação do casal depois da revelação do caso entre o presidente François Hollande e a atriz Julie Gayet.

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O livro narra os dias que sucederam a publicação das fotos do presidente François Hollande e de Gayet, na revista Closer, em janeiro. Pela primeira vez, a ex-primeira-dama assume publicamente que tentou se suicidar tomando overdose de tranquilizantes dentro de seu quarto no palácio do Eliseu. Impedida pelo próprio presidente, ela acabou sendo internada hospital de La Pitié Salpetrière e propositadamente sedada para não aparecer em público, segundo seu depoimento. “As doses de tranquilizantes foram aumentadas para me impedir de ir a Tulle”, escreve Valérie. A cidade francesa deTulle é o reduto eleitoral de Hollande, que a ex-companheira do presidente e jornalista da revista Paris Match frequentava há mais de 20 anos.

Este é o tom do livro de 316 páginas, que cai como uma bomba política para François Hollande, um dos presidentes com uma das popularidades mais baixas da história da França. Considerado como um dos eventos editoriais mais importantes do início do ano letivo francês, ele foi lançado com uma tiragem de 200 mil exemplares. No site da Amazon francesa, o livro já estava esgotado na manhã desta quinta-feira.

Franceses correm às livrarias

Muitos franceses foram às principais livrarias logo pela manhã, conferir alguns trechos do livro, como é o caso da secretária Chantal Puy, que trabalha em Les Halles, no centro de Paris. “É uma curiosidade um pouco nociva. Vou comprá-lo, mas por pura curiosidade, porque não gostamos de François Hollande. Desde que ele chegou ao poder, nossa economia não para de piorar.”

A vida dentro do palácio do Eliseu também desperta a curiosidade de muitos franceses, como o aposentado Jean Claude Cadet. “O que é interessante é que o livro fala do presidente, da função presidencial. É importante para os franceses saberem, como se vive no Eliseu, o que se das pessoas, como a história dos pobres e dos sem dentes, por exemplo", diz.

Jean Claude se refere a um dos trechos mais bombásticos do livro, que provocou uma grande polêmica na França. Nele, Valérie Trieweiler diz que Hollande, apesar de se apresentar como "um homem que não gosta dos ricos", na realidade, “não gosta de pobre”, e os chama de "sem dentes" na vida privada.

Já o produtor brasileiro Fernando Henrique, que vive em Paris há quase 10 anos, comprou o livro por obrigação. “Eu trabalho com comunicação então precisava comprar para entender a situação. Tem a vitimização e também a curiosidade em torno de um casal que não é um casal normal”, diz.

Para jornalistas, vida no Eliseu é a parte mais interessante do livro

Para o jornalista político da rádioFrance Culture, Frédéric Says, a parte mais interessante do livro é saber como vive o presidente da República na intimidade. “O livro tem um conteúdo político. Há vários detalhes contados por uma pessoa que viveu vários meses no Eliseu ao lado de François Hollande. O livro revela como ele vive o poder no cotidiano, sua relação com as pessoas. Com esse livro podemos entender, um pouco melhor, quem é François Hollande na intimidade. Levando em conta, claro, que se trata de uma mulher humilhada e traída.”

O jornalista especializado do jornal de direita Le Figaro, Jim Jarrassé, acredita que Hollande foi “atropelado” pelos acontecimentos. “É um novo sinal de fraqueza do presidente, que já está enfrentando uma grave crise política, com a demissão do governo e a reforma ministerial. Então, tudo isso acontece num péssimo momento para Hollande. Acredito que, em termos de popularidade isso terá consequências para ele e que isso vai colocar em risco a estrutura presidencial.”

 

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