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Reportagem

Desafio para palestinos é não perder a esperança

Áudio 02:51
Palestino caminha com criança entre escombros de prédios destruídos.
Palestino caminha com criança entre escombros de prédios destruídos. REUTERS/Mohammed Salem

O conflito mais longo e violento entre israelenses e palestinos está em trégua por tempo indeterminado em Gaza. Enquanto o Estado judaico se recupera de perdas no turismo, palestinos se veem em uma guerra que não acabou. Se o maior desafio para os palestinos agora é tentar reedificar a Faixa de Gaza, novas dificuldades aparecem à luz do dia e na escuridão das noites sem energia elétrica há quase dois meses. O território alvo de bloqueio por parte de Israel desde 2007 enfrenta problemas pela falta de material de construção e pelo tamanho dos lugares afetados.

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Da Faixa de Gaza, Richard Furst, para a Rádio França Internacional

Às vésperas da volta às aulas, prevista para este domingo, famílias desabrigadas com média de quatro crianças, recebem um aviso das prefeituras, deque podem retornar para casa no norte de Gaza.

Mas no local, prédios inteiros estão sem janelas ou portas, muitos até sem telhado; destroços no chão impossibilitam recuperar os móveis que restaram.

Dentro do apartamento, completamente destruído, o palestino Said Ahemd Shabed, não tem ideia do que fazer. Aos 60 anos, o árabe sempre morou na região, agora se vê obrigado a deixar o local tomado por entulhos e o mal cheiro do lixo misturado ainda ao da pólvora que não se foi. Mesmo assim, Said se mostra otimista: " O dinheiro, em geral, parece não ser o problema, mas o entusiasmo diante do que tentamos chamar de vida. As circunstâncias são ruins, por nossa parte e dos israelenses. Teremos algumas das demandas palestinas atendidas, parecem tão distantes, mas não posso perder a esperança", conta o palestino.

Ajuda humanitária

Aqui em Gaza, os desalojados esperam a mobilização mundial após a Autoridade Palestina e as Nações Unidas lançarem esta semana um apelo para arrecadar mais de US$500 milhões para ajuda humanitária de emergência.

O líder Mahmoud Abbas disse que serão necessários US$ 7 bilhões e mais de 15 anos para reconstruir o que foi destruído. Segundo ele, as perdas desta vez são "cem vezes piores" que as dos conflitos em 2009 e 2012.

Desta vez, a ofensiva durou 50 dias, até que um cessar-fogo foi acordado. Entre os dias 8 de julho e 27 de agosto, mais de 2.100 palestinos morreram na Faixa de Gaza. Também foram mortos 66 soldados de Israel e sete civis.

Caminhar por qualquer ponto da região costeira, uma das mais povoadas do mundo, onde vivem mais de 1,5 milhão de palestinos, amontoados entre o Egito, Israel e o Mediterrâneo, é deparar com imagens cinzentas da destruição e desemparo no rosto das pessoas após a terceira guerra em seis anos.

Os palestinos que querem Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental como parte de um Estado próprio no futuro, desejam que as fronteiras sejam abertas em Gaza e que um porto volte a funcionar. As negociações de paz com Israel, que capturou esses territórios em 1967, estão interrompidas desde abril.

 

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