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Reportagem

Com fracos resultados na França, Hollande tenta se projetar na política externa

Áudio 04:32
Quando foi eleito, Hollande prometeu conceder uma entrevista coletiva no palácio do Eliseu a cada seis meses.
Quando foi eleito, Hollande prometeu conceder uma entrevista coletiva no palácio do Eliseu a cada seis meses. REUTERS/Christian Hartmann

A França se uniu aos Estados Unidos e vai começar a bombardear, “em um curto prazo”, alvos do grupo Estado Islâmico no Iraque. O presidente francês, François Hollande, anunciou a decisão em uma coletiva de imprensa em Paris, nesta quinta-feira (18). Na ocasião, Hollande destacou a atuação francesa na política externa, já que os resultados da política econômica do governo demoram a surtir os resultados esperados no país.

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O chefe de Estado lembrou que até o momento, “quase 1.000 franceses” já viajaram à Síria ou ao Iraque para combater ao lado da organização extremista, que prega a criação de um califado na região. Ele destacou que a segurança “da Europa e do mundo” estão em risco com o avanço dos radicais.

“Reuni o conselho de defesa e decidi responder ao pedido das autoridades iraquianas, de dar apoio aéreo. O nosso objetivo é contribuir à paz e à segurança no Iraque, enfraquecendo os terroristas”, disse o presidente. “Nós não iremos além: não haverá tropas no solo e nós só vamos intervir no Iraque. Em conformidade com a Constituição, o Parlamento será informado assim que as primeiras operações forem feitas.”

Hollande explicou que voos de reconhecimento nas zonas ocorreram na segunda-feira e se repetiram nesta quinta, a partir de bases nos Emirados Árabes Unidos. “Assim que nós identificarmos alvos, agiremos, em um prazo curto”, explicou, ressaltando que a França, ao contrário dos norte-americanos, não vai realizar disparos em território sírio, onde o grupo controla importantes regiões.

O governo francês teme que o regime de Damasco se beneficie com operação ocidental na Síria, e prefere ampliar o apoio aos rebeldes que lutam contra as forças do presidente Bashar al-Assad. “Não podemos agir, da maneira que for, em favor ao regime do ditador regime do ditador”, afirmou.

Esta foi a quarta coletiva de imprensa que Hollande concedeu no palácio do Eliseu desde que assumiu o cargo, em 2012. Cerca de 350 jornalistas franceses e estrangeiros estavam presentes.

Foi durante os primeiros 40 minutos, em que realizou um discurso, que o presidente apresentou a decisão sobre os ataques aéreos, mas também anunciou a instalação de um hospital militar na Guiné, para ajudar o país a combater o vírus Ebola. A França tem assumido um papel protagonista na resposta europeia contra a epidemia no continente africano.

Desviar o foco

Para o analista político Stéphane Monclaire, da Universidade Paris 1 (Panthéon- Sorbonne), era esperado que o país ocupasse um lugar na linha de frente nessas questões internacionais – mas com as ações no exterior, Hollande tenta desviar o foco sobre os problemas persistentes na economia francesa.

“A intervenção do presidente Hollande corresponde a uma necessidade conjuntural da política externa, afinal é verdade que há vários problemas importantes neste momento. Era preciso uma reação da França, que é membro do Conselho de Segurança da ONU”, explica. “Mas como a situação do ponto de vista de política interna não é boa, tanto econômica quanto social, estrategicamente ele tinha todo o interesse em falar sobretudo de política externa.”

Popularidade

Questionado pelos jornalistas, Hollande demonstrou não se preocupar com os seus índices recordes de baixa aceitação popular, que hoje estão em 13%. Ele chegou a dizer que vai “cumprir o mandato plenamente, sem se preocupar com a popularidade”.

O socialista também desconversou sobre uma eventual candidatura à reeleição, em 2017. “Sou presidente, não sou candidato. Serei presidente até o fim. Não tenho outros objetivos, outras prioridades, a não ser fazer tudo pelo meu país”, destacou. “A ideia de uma candidatura não está presente. Não é agora que a questão tem que ser colocada.”

Para Monclaire, depois de um início hesitante, o presidente parecia à vontade e seguro de si. “Globalmente, acho que foi um relativo sucesso para ele. Mas não vai ser suficiente para elevar a popularidade dele tão cedo. Ele foi bom, mas não foi excelente: a tensão era palpável e, por várias vezes, ele se enganou de adjetivo ou até do nome de um país”, observa. “Hoje, ele tentou se mostrar presidente: um presidente que se preocupa com as questões internacionais, que é uma forma de mostrar que sim, ele ainda está na tarefa presidencial. Uma das maneiras de lutar contra a impopularidade foi colocar o foco nisso, embora ele não tenha fugido das questões políticas e sociais da França.”

 

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