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Meio Ambiente

Propostas ambientais dos candidatos à presidência são vagas

Áudio 04:06
Plataforma de produção do pré-sal, assunto que causou polêmica na campanha na semana passada.
Plataforma de produção do pré-sal, assunto que causou polêmica na campanha na semana passada. brasil.gov.br

Os temas ambientais acabaram entrando na campanha eleitoral no Brasil, através da discussão sobre assuntos considerados de primeiro plano, como o planejamento energético e a mobilidade urbana. Mas as propostas específicas para o meio ambiente da maioria dos candidatos são vagas, a 17 dias da eleição.

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Entre os programas de governo apresentados até agora, sem surpresa, são os de Marina Silva (PSB) e Eduardo Jorge (PV) os que mais dão atenção à preservação do meio ambiente. A organização Greenpeace se mobiliza para arrancar compromissos de todos os candidatos, mas por enquanto somente esses dois aceitaram o desafio, como explica Márcio Astrini, membro da entidade ambientalista.

“Os eleitores dão cada vez mais importância a essas questões. Ainda estamos muito longe de ter o meio ambiente como uma discussão central nas eleições, mas tem ocupado cada vez mais espaço”, constata. “A candidata Marina adotou uma séria de propostas que nós colocamos em discussão, entre elas mais investimentos em energia solar e o desmatamento zero na Amazônia. Essas mesmas propostas também foram adotadas por outro candidato, Eduardo Jorge, que além disso se comprometeu em acabar com a energia nuclear no Brasil.”

Contradições

Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) ainda não apresentaram propostas detalhadas. No esboço do seu programa, a petista destaca realizações do seu governo, como a redução do desmatamento, mas inclui algumas contestadas por ambientalistas, como a aprovação do Código Florestal. Já Aécio defende a “economia de baixo carbono” - a readaptação da produção para emitir menos poluentes -, porém se mostra favorável ao desenvolvimento das biotecnologias – os alimentos transgênicos - e à adoção de um marco regulatório da mineração, dois pontos que também são alvo de críticas dos ecologistas.

O economista da USP Eliezer Diniz, especialista em desenvolvimento sustentável, analisou os programas. “A candidata Dilma Rousseff não usa muito do seu programa para falar dos temas ambientais. Acho que isso reflete a atenção dela para esse tema”, avalia. “A Marina Silva e o Aécio Neves se estendem mais. Ele apresenta nove páginas com várias proposições, e a Marina coloca metas efetivas do que ela espera cumprir, se for eleita.”

De maneira geral, os candidatos ressaltam serem favoráveis ao desenvolvimento sustentável e à redução de emissões de gases de efeito estufa, mas sem entrar em detalhes. Ao analisar os programas com mais cuidados, é possível encontrar pontos conflitantes.

“O Aécio quer que o Brasil se torne novamente auto-suficiente na produção de petróleo. Por outro lado, ele diz querer uma economia de baixo carbono, o que é uma inconsistência. Já a Marina é clara: diz que é preciso reduzir o consumo de combustíveis fósseis”, observa. “O governo atual também mostra inconsistências. A Dilma fala sempre do pré-sal, insiste que é preciso produzir, mas ela ao mesmo tempo tem de respeitar metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, de acordo com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.”

Assunto obrigatório

Marcel Bursztyn, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UNB, afirma que as questões ambientais entraram no dia a dia dos brasileiros e não podem mais serem ignoradas nem pelos candidatos, nem pelos governos. Para ele, a campanha mostra uma convergência das posições sobre os principais temas.

“Marina Silva passa a admitir algumas questões tabu para ela, como a prorrogação da vigência da dependência do petróleo ou os transgênicos. E Dilma e Aécio, que historicamente tinham uma certa resistência às restrições ambientais, agora têm que conviver com o fato de que esse é um dos segmentos de regulações públicas que se consolidou nos marcos regulatórios do Brasil”, ressalta.

 

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