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Reportagem

Entre decepção e esperança, brasileiros na França votam no domingo

Áudio 04:14
divulgação

Este domingo, 5 de outubro, é dia de ir às urnas, inclusive aqui na França. A única diferença é que enquanto no Brasil os eleitores votam para deputado, senador, presidente e governador, os brasileiros que transferiram o título para o exterior só podem dar sua opinião sobre o próximo presidente da República.

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Taíse Parente, em colaboração para a RFI

Está enganado quem pensa que distância é sinônimo de desinteresse. Para o professor de literatura Saulo Neiva,

O professor de literatura Saulo Neiva afirma que o voto ajuda quem está no exterior a se sentir parte da construção do país.
O professor de literatura Saulo Neiva afirma que o voto ajuda quem está no exterior a se sentir parte da construção do país. (Foto: Arquivo pessoal)

o voto é um direito importante e simbólico para os brasileiros que moram no exterior. Não só eles podem contribuir concretamente para a construção de uma sociedade, mas também se sentem parte do país, mesmo sem estarem envolvidos no dia a dia brasileiro.

Política tem poder de mudança

Há 23 anos na França, Saulo acredita que hoje em dia há muitas razões para se interessar pelas eleições. O professor decidiu transferir o título de Recife para a França no ano passado, em parte por acreditar que a política tem o poder de modificar a sociedade.

"Hoje em dia a gente vê que há muitas discussões, que a sociedade civil se organiza melhor e que pode, inclusive, fazer manifestações nas ruas como em 2013. A sociedade tem mudado muito. Eu percebo muita inclusão social, há um apoio do governo federal para desenvolvimento do ensino universitário, e claro, apesar de tudo, ainda há muita desigualdade social. É engraçado, talvez a distância dê um outro olhar sobre a coisa, mas eu acho que o fato dos grandes líderes do partido da presidente estarem na prisão depois dos escândalos de corrupção do Mensalão é um sinal negativo, claro, mas é também algo positivo, um sinal de amadurecimento do país. Então é nesse sentido que o processo político é importante e que dá vontade mesmo de votar".

Nataly Jollant está mais interessada por política.
Nataly Jollant está mais interessada por política. (Foto: Arquivo pessoal)

Mais engajada

A doutoranda Nataly Jollant, que transferiu o título de Manaus este ano, também afirma que o voto é parte do seu direito e dever de cidadã brasileira.

A estudante de 30 anos, que já se interessava por política antes de vir para a França, diz que debate muito o assunto com seus amigos da faculdade.

Há nove anos longe de casa, Nataly afirma que, na verdade, a convivência com os franceses, cultura em que a população é muito engajada, fez seu gosto por política crescer.

Decepção com a política

Já no caso de Adail Viveiros, cenógrafo de 50 anos, o interesse corre no sangue.

Adail Viveiros desconfia da boa vontade dos políticos.
Adail Viveiros desconfia da boa vontade dos políticos. (Foto:Jamayê Viveiros)

Seu pai foi engajado nos movimentos anti-ditadura e perseguido pelos militares. Em Paris há 17 anos, Adail continua antenado no noticiário político brasileiro, apenas com menos frequência. Neste domingo, ele vai às urnas mais uma vez e diz que continuaria votando, ainda que não fosse obrigatório e mesmo estando um pouco decepcionado com os políticos.

"É importante votar, mas o que seria mais importante seria desenvolver ao longo do tempo um mecanismo que permitisse ao eleitor controlar o eleito. Eu tenho andado muito desconfiado da vontade dos políticos de desenvolver um projeto de sociedade. Por exemplo, aqui na França a gente tem um governo que foi eleito sob a bandeira socialista, se revelou em seguida social-liberal e que hoje em dia podemos descrever como sendo um governo de direita". Então, nesse âmbito, Adail acha que todo o processo democrático no ocidente está muito descreditado e que temos que escolher o político "menos pior".

Confiar em quem?

Angelina Jacob, fala que não votaria nas eleições se não fosse obrigatório
Angelina Jacob, fala que não votaria nas eleições se não fosse obrigatório (Foto: Arquivo pessoal)

Já Angelina Jacob, de 53 anos, também está desconfiada da política. A manicure, que vive em Paris há nove anos, diz que, para ela, o voto não passa de uma obrigação.

"Eu não me interesso por política. As reclamações sempre são as mesmas e para mim não muda nada. Já basta o último presidente que a gente confiou, o Collor, ter acabado com todo mundo. De lá pra cá, confiamos no Lula e o povo diz que ele roubou e rouba junto com a Dilma. Então vamos confiar em quem? Eu vou votar porque tenho que votar e pronto, mas acredito que se não fosse obrigatório ninguém ia".

Felizes ou não com os votos ou os candidatos, as urnas esperam todos os brasileiros, no Brasil e no exterior, no próximo domingo.
 

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