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França/Rússia

Piloto critica aeoroporto russo onde morreu presidente da Total

O presidente da Total, Christophe de Margerie
O presidente da Total, Christophe de Margerie AFP PHOTO / FRED DUFOUR

Na edição desta quarta-feira (22), o Aujourd'hui en France entrevista o piloto do avião que decolaria na sequência do Falcon-50 do presidente da gigante petrolífera Total, a maior empresa da França em termos de receita. O executivo Christophe de Margerie morreu na noite de segunda-feira, quando o jatinho em que ele estava se chocou com um caminhão de retirar neve e pegou fogo durante a decolagem do aeroporto de Vnukovo, em Moscou.

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De acordo com o piloto, nada no aeroporto de Vnukovo segue as normas internacionais: os operadores falam mal inglês e parecem mal treinados, as pistas são irregulares e mal iluminadas. Ele diz inclusive que o caminhão de tirar neve não tinha que estar lá porque, simplesmente, não havia neve na pista. Chovia no momento do acidente mas, a visibilidade era boa, de acordo com o piloto, que teve seu nome preservado.

Margerie era um dos mais carismáticos e midiáticos diretores de empresas na França, uma figura folclórica, famosa pelo bigodão, o bom humor, o jeito pouco ortodoxo e o amor pelo whisky. Toda a imprensa traçou este perfil do homem que, segundo, Le Figaro era uma "unanimidade", alguém que agradava a empregados e acionistas.

Homenagens

O diário conservador compilou em sua página de economia uma série de depoimentos de políticos e executivos sobre Christophe de Margerie, que vão de François Hollande a Putin, passando pelo presidente da Dassault, fabricante do jatinho em que ele morreu.

Le Figaro lembra que a Total perde seu diretor em um período de profunda transformação, não só por conta da mudança na geografia da exploração, com o crescimento de mercados como Angola e Brasil, mas também por causa dos desafios da energia renovável, que Margerie tratava como "complementar" mais do que "alternativa" às fontes tradicionais.

Lado polêmico

Aliás, a questão da energia limpa era uma espécie de "calcanhar de Aquiles" de Christophe de Margerie. Em sua matéria, o Libération lembra do lobby de Margerie pela exploração do gás de xisto; sua amizade com o presidente russo, Vladimir Putin, com quem ele mantinha "longas conversas" ao menos uma ou duas vezes por ano; ou ainda o fato de que, sob sua gestão, a Total deu um jeito de pagar pouquíssimos impostos na França.

Mesmo assim - e apesar de ele ter dirigido uma companhia de petróleo, uma das indústrias mais poluentes do mundo, ou de ter mantido relações amistosas com ditadores e bilionários de reputação contestável -, o tom geral do jornal progressista é de homenagem.

Em editorial, o diário trata Margerie como um conciliador, preocupado com os interesses de todos. O texto termina dizendo que "apesar de rico, ele não via a empresa como uma máquina de fazer dinheiro, mas como uma instituição da sociedade" e deseja que outros executivos de ponta se inspirem nele.

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