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Linha Direta

Negociação com Farc é dilema para governo da Colômbia

Áudio 05:32
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, suspendeu diálogo com Farc depois do sequestro do general Ruben Alzate.
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, suspendeu diálogo com Farc depois do sequestro do general Ruben Alzate. REUTERS/John Vizcaino

Nesta quarta-feira, 19 de novembro, faz dois anos que o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) começaram a negociar o fim do conflito mais antigo da América Latina. No entanto, no último domingo (16), o presidente Juan Manuel Santos suspendeu os diálogos com a guerrilha devido ao sequestro do general  Ruben Alzate, junto com um cabo e uma advogada, no departamento de Chocó, na costa do Pacífico colombiano.

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Mariana Clini Diana, correspondente da RFI Brasil em Bogotá

Desde o início da tentativa de paz, em 2012, foi decidido que as negociações seriam feitas em Cuba, sem a necessidade de um cessar-fogo bilateral no território colombiano. Tanto o governo quanto as FARC decidiram executar este processo de paz em meio às hostilidades da guerra. Em outras palavras, as FARC não deixaram de praticar suas atividades ilegais, como narcotráfico, extorsões e sequestros. Da mesma forma, o exército colombiano continua com a sua responsabilidade de combater este grupo insurgente e também outros grupos armados ilegais presentes no país.

Essa foi a primeira vez que as FARC sequestraram um militar de patente tão alta, o general Ruben Alzate. O fato foi agravado com o sequestro de mais dois soldados, além do assassinato de dois indígenas no mês de novembro. Estes acontecimentos foram interpretados como uma provocação pelo presidente Santos.

Postura oficial da guerrilha

O grupo guerrilheiro assumiu o sequestro dessas três pessoas em uma coletiva de imprensa ocorrida em Havana, na terça-feira (18). Junto com esse comunicado, eles afirmaram que estão dispostos a seguir com o processo de paz já iniciado. Pablo Catatumbo, um dos porta-vozes da comissão das FARC, anunciou a vontade da guerrilha de resolver esta situação com o presidente Santos e propôs um cessar-fogo bilateral. Da mesma forma, a guerrilha enfatizou que este sequestro foi um acontecimento habitual da guerra e enquanto não houver um cessar-fogo de ambas as partes, fatos como este continuarão acontecendo. “Os diálogos devem continuar, o que deve ser paralisada é a guerra”, evidenciou Catatumbo.

Reação da classe política

Em geral, tanto a esquerda quanto a direita política apoiaram a decisão do presidente Santos de suspender os diálogos de paz.

A direita opina que deve haver condições frente à guerrilha para que finalizem suas atividades delinquentes, e que o governo exija um cessar-fogo unilateral por parte das FARC. O ex-presidente e congressista Álvaro Uribe, crítico assíduo dos diálogos em Havana, afirmou em entrevista ao jornal espanhol El Mundo, que “o erro foi avançar em um diálogo sem exigir a paralização total das atividades criminosas das FARC”.

Por outro lado, a esquerda política colombiana reivindica que sejam retomadas imediatamente as negociações em Havana e que haja um cessar-fogo de ambos os lados. A ex-senadora e mediadora de paz Piedad Córdoba, iniciou em seu Twitter a campanha #TreguaYa para mobilizar a população a apoiar uma paralização bilateral do conflito.

Fim dos diálogos de paz?

O sequestro do general Ruben Alzate deixa o presidente Juan Manuel Santos em uma posição incômoda. Por um lado, o grupo guerrilheiro está propondo um cessar-fogo bilateral. Esta situação, segundo especialistas, é difícil de executar, pois desde o início foi decidido que as negociações seriam feitas em meio ao cenário de conflito.

Outro fator que dificulta a paralização armada por parte do governo é a responsabilidade de proteger a população e combater outros grupos armados existentes no país. Já o presidente foi enfático ao dizer que as negociações somente serão retomadas quando os sequestrados forem liberados.

Em maio deste ano, com a promessa de seguir com as negociações com as FARC, Juan Manuel Santos conquistou seu segundo mandato. Este processo de paz em Havana é considerado o mais bem sucedido entre todas as tentativas de paz anteriores com esta guerrilha.

Seis pontos fazem parte de uma agenda reduzida de acordos, entre os quais três já foram finalizados. Entre eles estão: desenvolvimento agrário, participação política da guerrilha e o problema do narcotráfico. No momento da suspensão dos acordos, as delegações estavam por finalizar o quarto ponto, referente às vitimas do conflito. Falta negociar a desmobilização dos ex-guerrilheiros e a implementação do acordo em si.

 

 

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