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Reportagem

Encontro da RFI discutiu experiências de rádios na França e na América Latina

Áudio 05:25
Participantes do Colóquio Internacional sobre Rádios estudantis e universitárias, em Paris.
Participantes do Colóquio Internacional sobre Rádios estudantis e universitárias, em Paris. Foto: Elcio Ramalho/RFI

Debates sobre o papel político e social das rádios estudantes e universitárias na França e na América Latina, o trabalho de formação dos comunicadores e o futuro dessas rádios consideradas "alternativas" em plena era digital, foram alguns dos temas que mobilizaram os participantes do Colóquio Internacional sobre rádios estudantis e universitárias realizado nesta segunda-feira (1), em Paris. O evento foi promovido pela Rádio Campus Paris com o apoio da RFI.

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Dezenas de representantes das rádios participantes começaram o encontro com esclarecimentos sobre o conceitos e práticas das rádios estudantis na França, reunidas em torno da entidade Radio Campus France, que conta com 26 associadas. Elas diferem das rádios universitárias, mais presentes em diversos países da América Latina.

Em comum, no entanto, o objetivo de ser um meio alternativo aos grandes grupos de comunicação de mídia e que possam dar voz a pessoas e temas que, raramente, ou, simplesmente, não encontram espaço nos grandes veículos de comunicação de massa.

Felix Paties, presidente da Rádio Campus Paris, explicou que, na França, rádios estudantis são feitas pelos próprios estudantes que apostam numa linguagem e no público jovem. O alcance não deve ultrapassar o limite de 50 km de onde emitem. O modelo de financiamento é composto por recursos das coletividades locais e até de uma parcela pequena de um imposto cobrado sobre a publicidade dos grandes grupos de mídia. "O objetivo de rádios estudantis é permitir aos estudantes fazer e administrar uma rádio para que possam falar de todos os assuntos possíveis, políticos, culturais, musicais", explica.

"O importante é que os estudantes possam fazer tudo, desde a gestão da rádio até a administração financeira, da grade de programação e de sua linha editorial. É na essência uma rádio estudantil e bem diferente de uma rádio universitária que normalmente é administrada por professores e pesquisadores", comentou.

As rádios universitárias francesas só existem na web, diferentemente das latino-americanas que emitem nas frequências AM e FM. Elas costumam ser um contraponto para a informação de grandes grupos da imprensa. Fernando Guerrero, presidente da RRALUC, a Rede das Rádios Universitárias Latino-Americanas e do Caribeb, explicou, durante o encontro, as principais características das rádios universitárias na América Latina.

"Somos um meio alternativo muito importante em termos de informação. É claro que depende de cada rádio e de cada país. Mas as rádios universitárias têm que se construir, antes de tudo, com o princípio fundamental da crítica, da experimentação, da construção da cidadania e da construção de comunidades", afirmou.

Durante sua exposição, Fernando lembrou que durante o desaparecimento dos 43 estudantes do estado de Guerrero, no sul do México, as rádio universitárias foram solicitadas para divulgar informações sobre o caso que revoltou a população.

Através da RRALUC, dezenas de rádios universitárias do continente estão em contato para troca de experiências e conteúdo. O Brasil não faz parte da rede e não apenas devido ao problema da língua. Francisco Teixeira, coordenador da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), explicou durante o colóquio que as discussões sobre o papel das rádios públicas é mais recente e surgiu a partir da Constituição de 1988

"A organização das rádios públicas e universitárias no Brasil é algo novo, que está sendo construído a partir da regulamentação da Constituição de 1988 que prevê claramente a construção dos campos público, estatal e privado da comunicação social no país", disse.

Formadores em comunicação

Muitos representantes de rádios também trouxeram experiências diversas sobre a formação interna e externa. Um dos exemplos mais debatidos foi o da Rádio Catie (Centro Agronômico Tropical de Investigação e Ensino), da Costa Rica, onde alunos do curso de Práticas de Preservação Ambiental aprenderam, através de ateliês, a trabalhar com rádio para produzir programas que envolvessem a comunidade.

A coordenador da Radio Catie, a agrônoma Karina Rojas, explicou que o primeiro grupo de estudantes aprendeu técnicas de reportagem e de equipamentos com especialistas, mas depois se tornaram formadores dos grupos seguintes de interessados nessa atividade completamente voluntária. Segundo ela, o projeto surgiu como oportunidade para comunicar ao público externo o conhecimento produzido na universidade.

"Foram ateliês de redação de roteiros, de como fazer entrevistas, editar, e até produzir radionovelas, um gênero que muitos adoram", contou. "Também quisemos saber como funciona o trabalho com rádios comunitárias para mostrar que é possível integrar comunidades isoladas", observou.

O colóquio teve também workshops interativos sobre a prática de programas radiofônicos e terminou com uma palestra sobre o futuro das rádios estudantis e universitárias na era digital.

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