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Imprensa

Passeata de empresários é um sinal de alerta contra o governo

Passeata do patronato nas ruas de Paris levando um portão com os dizeres: Libertem nossas empresas algemadas.
Passeata do patronato nas ruas de Paris levando um portão com os dizeres: Libertem nossas empresas algemadas. REUTERS/Charles Platiau

Um dos destaques dos jornais franceses é a passeata que os "patrões" fizeram nesta segunda-feira (1).Um grupo estimado entre dois mil e seis mil empresários foram às ruas protestar contra o governo de François Hollande. Num país acostumado com as manifestações de trabalhadores, esse protesto é, no mínimo, curioso, mas pode servir de alerta, dizem os jornais.

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Os empresários-manifestantes foram às ruas em Paris, Toulouse e Marseille em uma passeata organizada pela Confederação Nacional dos Empresários de Pequenas e Médias Empresas. O objetivo era mostrar o descontentamento com a carga tributária e o excesso de burocracia que, segundo eles, atrapalha o cotidiano das empresas e a possibilidade de novos investimentos.

O jornal perguntou aos leitores o que eles acharam dessa manifestação de empresários e, a maioria, foi solidária com o movimento. Mas também houve quem criticasse. Hoje, por exemplo, membros do Partido Comunista vão para a frente da sede do Medef, entidade de classe dos empresários. Eles prometem fazer uma paródia da passeata de ontem.

Cadeados são o símbolo do movimento

O jornal Libération ilustra a reportagem sobre essa passeata com uma grande foto que mostra os manifestantes cobertos por cadeados, o símbolo desse movimento contra o governo. Ontem, eles bradavam nas ruas que o governo está "sufocando a iniciativa privada" e "trancando" o futuro do país. Esses pequenos empresários reclamam que a burocracia para contratar ou demitir um funcionário é complicadíssima. "Não quero passar a minha vida preenchendo formulários", disse uma empreendedora ao jornal.

Para um especialista ouvido pelo Libération, esse mal-estar revela uma crise profunda da classe empresarial francesa. Hoje, os donos de pequenas e médias empresas estão empobrecidos e muito mais próximos da situação de um trabalhador comum que do nível de vida de um empresário de uma multinacional.

 Jornal econômico Les Echos também tenta entender as razões desse protesto

O jornal afirma que, em tempos de crescimento fraco, é normal que os donos de empresas estejam tão estressados e preocupados em relação ao futuro quanto os seus empregados. Les Echos também avalia que uma das principais causas para a irritação dos empresários é a estratégia de comunicação dos socialistas. Recentemente, membros do governo têm declarado que não haverá "presentes" para a classe empresarial. Mas, para os pequeno e médio empresários, uma flexilibilização da carga tributária, por exemplo, não seria um "presente", mas uma questão de sobrevivência, diz o jornal.

O editorial também faz um alerta. O governo tem que dar a devida atenção a esses protestos e ser mais "humilde". Se se sentirem desprezados pelo governo, esses empresários que foram às ruas ontem podem se tornar mais radicais e migrarem para o eleitorado da Frente Nacional, um partido que tem feito um grande esforço para se mostrar como o único capaz de entender os problemas do cidadão francês comum.

 

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