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Linha Direta

Desafios marcam reinício dos diálogos de paz com as FARC

Áudio 05:36
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos(centro), concordou em reiniciar nesta quarta-feira(10) as negociações em Havana, Cuba.
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos(centro), concordou em reiniciar nesta quarta-feira(10) as negociações em Havana, Cuba. REUTERS/Javier Casella/Colombian Presidency/Handout via Reuters

Depois de mais de 20 dias de suspensão dos diálogos de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o presidente Juan Manuel Santos decidiu retomar em Havana, nesta quarta-feira (10), o processo de paz iniciado há dois anos.

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Mariana Clini Diana, correspondente da RFI Brasil em Bogotá

Os próximos passos dos acordos com as FARC incluem a discussão sobre uma eventual redução do conflito armado no território colombiano, já que grande parte da população está exigindo um cessar-fogo. No entanto, como existe a dificuldade de uma finalização total do conflito em um curto prazo, as duas partes conversarão sobre a possibilidade de diminuir as atividades armadas por parte da guerrilha e do governo.

Depois desta etapa, a agenda inclui a continuação do ponto referente às vitimas. No dia 16 de dezembro um último grupo, composto por 12 vítimas, viajará a Havana para discutir temas como reparação e comissão da verdade.

Para 2015 ainda faltarão discutir pontos-chave que incluem o desarmamento e programas de reinserção de ex-guerrilheiros na sociedade. Além disso, depois da finalização dos diálogos em Havana, está prevista a realização de uma consulta popular para que os colombianos possam manifestar sua aprovação com o que foi acordado. Por isso, Santos possui o desafio de conquistar a confiança da população em relação ao processo de paz.

Falta de confiança da população

Apesar de a população ter apoiado a suspensão dos diálogos depois do sequestro de Alzate, houve um crescimento da desconfiança da sociedade frente ao possível acordo pacífico com a guerrilha. Um dos motivos, explicam especialistas, é que existe uma falta de conhecimento da população sobre o que ocorre em Havana, pois os acordos não são informados de forma clara e didática. Além disso, também existe o fato de que as FARC continuam atuando de forma ilegal, já que as negociações estão ocorrendo em meio à guerra. Por isso, a sociedade não entende como pode haver acordos de paz se ainda sucedem fatos como o sequestro do general Alzate.

Da mesma forma, prevendo a situação financeira que enfrentará o país, Santos já afirmou que haverá uma reforma tributária para 2015 com a finalidade de arrecadar fundos para financiar o pós-conflito. Esta decisão levou à insatisfação do setor empresarial colombiano, ainda mais com o cenário de sequestros e a suspensão dos diálogos.

Repercussões da liberação

A liberação do general Alzate, junto com a advogada Gloria Urrego e o cabo Jorge Rodriguez, ocorreu de forma pacífica com a participação de representantes dos países mediadores Cuba e Noruega, e da organização internacional Cruz Vermelha. Porém, o fato de maior repercussão foi a explicação sobre o motivo do general e seus acompanhantes terem entrado em uma área controlada pela guerrilha sem respeitar os protocolos de segurança.

Em um discurso, Alzate explica que estava sem uniforme e sem um plano de segurança porque tinha a intenção de estudar a implementação de um projeto social na região e se aproximar da população do departamento do Chocó. No entanto, os motivos expostos pelo general não tiveram uma boa aceitação pela população colombiana.
Somado a isso, no mesmo discurso, o general pediu baixa do Exército depois de trabalhar por mais de 30 anos nesta instituição. Pedido que foi aceito pelo presidente Santos.

Outro fato de muita repercussão foram as fotos divulgadas pela rede venezuelana de comunicação TeleSur, onde mostrava Alzate e Pastor Alape, integrante da comissão das FARC, em um abraço amistoso. Porém, Alzate afirmou que a foto não passou de um show mediático.

Apesar das FARC terem declarado, em 2012, que não iriam mais praticar a atividade de sequestro, de acordo com o Ministério da Defesa da Colômbia, entre janeiro de 2013 e outubro de 2014, foram sequestradas 18 pessoas. Estima-se que esta guerrilha ainda possui mais de 200 pessoas sequestradas, segundo associações de vítimas.

 

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