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Reportagem

Presença milenar cristã no Iraque é ameaçada por jihadistas

Áudio 03:50
Iraquianos da minoria Yezidi fogem dos combates entre o grupo Estado Islâmico e o exercito iraquiano na cidade de Sinjar, 11 de agosto de 2014.
Iraquianos da minoria Yezidi fogem dos combates entre o grupo Estado Islâmico e o exercito iraquiano na cidade de Sinjar, 11 de agosto de 2014. REUTERS/Rodi Said/Files

A invasão extremistas do Grupo Estado Islâmico no interior do Iraque está ameaçando a presença milenar da comunidade cristã no país. O correspondente da Rádio França Internacional, Richard Furst, encontrou diversas famílias que tiveram de deixar suas casas e encontrar abrigo no Curdistão iraquiano. Relatos de fiéis e líderes religiosos alertam para a perda do patrimônio cultural e religioso cristão nos territórios ocupados pelos jihadistas.

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De Anqawa, no nordeste do Iraque, Richard Furst, para a Radio França Internacional.

A oração em aramaico, a língua provavelmente falada por Cristo, vem de senhoras iraquianas, rezando dentro de uma grande lona de plástico, montada nos arredores da capital do Curdistão, no nordeste do Iraque. Em Irbil, os fiéis ainda mantêm tradições milenares em uma das mais antigas e respeitadas comunidades cristãs do mundo, a Igreja dos Caldeus, que também é supervisionada pelo papa de Roma.

Forçados a ficarem em uma tenda improvisada, os cristãos estão em um local a 100 quilômetros do território hoje nas mãos do grupo Estado Islâmico. Paramentos como cálices, estolas e livros para missa ficaram para trás. A igreja de Mossul, cidade símbolo da expansão dos extremistas islâmicos, se tornou uma prisão sob domínio dos radicais, para a tristeza do bispo da cidade, Saydina Amil Nona.

O alto sacerdote caldeu saiu às pressas, logo depois que um mosteiro de irmãs foi destruído pelos jihadistas. Importante autoridade religiosa, o Saydina, denominação para bispo, em árabe, alerta para o risco de perda do patrimônio cultural e religioso.

“Não é só a nossa terra que estamos perdendo, nossa história também. Mossul é o centro cristão mais importante daqui. Há mais de 500 anos foi sede do patriarcado da igreja daqui, o templo mais antigo do Iraque está lá. É a presença cristã há quase dois mil anos. Não temos ideia do tamanho da destruição em todos os aspectos, mas muitos tesouros já se perderam”, revela o religioso.

O medo se apoderou das famílias principalmente quando escutaram o intenso tiroteio e as vozes dos terroristas gritando "Allahu Akbar" ("Alá é grande"). Para cristãos e yazidis, uma minoria étnica que também vive no Iraque, este foi um pesadelo. .

"Durante a noite, ficamos sabendo que os jihadistas estavam a cerca de seis quilômetros de nós. Todos fugiram pra cá, no Curdistão iraquiano. Foram dois dias de fuga, não consigo mais esquece-los", afirma uma yazidi de 47 anos, que agora vive em um dos campos de refugiados improvisados dentro de escolas.

Em junho, no começo da expansão dos extremistas pelo norte e noroeste do Iraque, a ONU denunciou a perseguição aos grupos minoritários, entre eles os cristãos e os yazidis. O número de deslocados faz desta situação um "desastre de imensas proporções", afirmaram, há seis meses, dirigentes das Nações Unidas em diversas ocasiões.

A Anistia Internacional classifica a situação como cada vez mais "desesperadora" para os iraquianos, principalmente para os que pertencem às minorias yazidi e cristã.

Na igreja improvisada com tecidos de lona, um crucifixo e uma imagem da Virgem Maria pendurados estão na direção do olhar de uma iraquiana de Mossul, com o rosário nas mãos.
“Não conseguimos acompanhar as histórias, dados, casos, e tudo o que está acontecendo. Tudo é muito triste”, diz. Apesar de quem nem todas as notícias chegam até as fiéis, elas asseguram que os pedidos por paz serão incansáveis e querem de volta um Iraque que ainda nunca viram.

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