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França/atentado

Um mês depois do atentado, Charlie Hebdo prepara nova edição

Escritório do jornal Charlie Hebdo em 9/02/06
Escritório do jornal Charlie Hebdo em 9/02/06 REUTERS/Regis Duvignau/Files

Entre luto e revolta, o país continua em estado de alerta máximo contra os ataques terroristas depois do massacre na redação do jornal satírico Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos. Mas, mesmo traumatizados, os jornalistas que sobreviveram ao massacre já estão produzindo a nova edição que deve chegar às bancas no fim de fevereiro – e provavelmente sem Maomé na capa.

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Um mês depois do ataque que deixou vários chargistas mortos, entre eles Charb, Cabu, Honoré, Tignous e Wolinski, o jornal Charlie Hebdo está mais forte do que nunca: a tiragem do dia 14 de janeiro bateu o recorde de 7,3 milhões de exemplares – que representam um lucro de cerca de € 10 milhões. O jornalista Laurent Léger, sobrevivente do ataque, anunciou em sua conta no Twitter que o próximo número chegará às bancas no dia 25 de fevereiro.

O redator-chefe do jornal satírico, Gérard Biard, já declarou que a capa será decidida na véspera, "como de costume". Contrariamente ao número publicado logo depois do atentado -onde o profeta aparece chorando ao lado da frase "Tudo está perdoado", desta vez o Charlie Hebdo "provavelmente não trará" uma nova caricatura de Maomé. A declaração foi dada pelo chargista Riss à rádio francesa Europe 1, ainda traumatizado pelo massacre.

De acordo com ele, mesmo que exista o desejo de continuar a produzir o jornal, a equipe está "cansada fisicamente e psicologicamente". O próprio chargista já foi ameaçado de morte por um ex-ministro paquistanês, Ghulam Ahmad Bilour, que prometeu U$ 200 mil para quem o matasse, o acusando de blasfêmia. Por enquanto, a redação está funcionando provisoriamente na sede do jornal Libération, e os sobreviventes vivem sob proteção policial 14 horas por dia.

Jornal sai do vermelho

O lado positivo é que o jornal, ameaçado de fechar em dezembro por falta de recursos, saiu do vermelho. O Charlie Hebdo acumulou € 3 milhões na venda do primeiro milhão de exemplares, já que as gráficas e os distribuidores aceitaram realizar o trabalho gratuitamente em solidariedade à redação. O número de novas assinaturas também já chegou a 200 mil, o que representa cerca de 14 milhões de euros, sem contar as vendas nas bancas. As doações também ultrapassaram € 2,4 milhões, sem contar os recursos alocados pelo Ministério da Cultura. No total, segundo a imprensa francesa, o jornal teria em caixa entre € 24 e 30 milhões.
 

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