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Linha Direta

Em Washington, Merkel e Obama buscam saídas para crise na Ucrânia

Áudio 05:48
Encontro na Casa Branca do presidente Barack Obama e da primeira-ministra alemã, Angela Merkel.
Encontro na Casa Branca do presidente Barack Obama e da primeira-ministra alemã, Angela Merkel. REUTERS/Gary Cameron

Nesta segunda-feira (9), a chanceler alemã Angela Merkel se reuniu com o presidente Barack Obama na Casa Branca na esperança de, finalmente, chegar a uma solução diplomática para o conflito no leste da Ucrânia. A crise entre as forças separatistas respaldadas pela Rússia e o exército ucraniano já resultou em mais de 5 mil mortes, desde fevereiro passado. As sanções até agora impostas pela União Europeia e os Estados Unidos ainda não ajudaram a por um fim ao derramamento de sangue.

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Ligia Hougland, correspondente da RFI Brasil em Washington

 O encontro entre Angela Merkel e Barack Obama para discutir a situação no leste ucraniano era inevitável devido à gravidade do conflito que pode abalar profundamente as relações entre a Rússia e a União Europeia e, é claro, os Estados Unidos.

Pelo que foi dito na coletiva com a imprensa depois da conversa entre os dois dirigentes, o encontro não resultou em nada sólido, apesar de a chanceler alemã ter chamado esse de o “último” esforço para chegar a uma solução diplomática na Ucrânia.

À primeira vista, parece que as duas nações aliadas estão tendo um certo atrito quanto a como responder ao conflito que tem dividido a população ucraniana entre os que são pró-Rússia e aqueles pró-União Europeia. Merkel continuou dizendo que não acredita em uma solução militar, enquanto que Obama disse que há uma possibilidade de os Estados Unidos enviarem armas para o exército ucraniano usar contra as forças separatistas, que o governo americano afirma serem recrutadas e totalmente amparadas pelos russos.

Mas uma análise mais aprofundada mostra que a Alemanha e os Estados Unidos não têm posições tão firmes nem tão diferentes assim. Obama está fazendo o já conhecido jogo dele de não mostrar firmeza quando o assunto é política internacional. Alguns analistas acreditam que o presidente americano vai tentar protelar qualquer medida agressiva de ajuda à Ucrânia, na esperança de que sanções mais severas façam com que Vladimir Putin ponha um fim nas ações separatistas. Os analistas também acreditam que, apesar da mensagem pacifista de Merkel, caso os Estados Unidos resolvam, por fim, enviar armas ao exército ucraniano, a Alemanha não vai reclamar e vai continuar se comportando como fiel aliada de Washington.

Obama e política externa

A visita da chanceler alemã a Washington aconteceu em um momento em que os americanos questionam mais do que nunca quem exatamente é seu presidente no que diz respeito à política externa.

Todos que querem ver uma ação por parte da Casa Branca para pôr um fim ao conflito na Ucrânia estão decepcionados com a falta de firmeza de Obama. Mas não dá pra dizer que alguém esteja surpreso, pois o presidente americano já tem um histórico de não ser decisivo em questões de política internacional.

A postura de Obama agora lembra a atuação dele em relação à Síria, em 2013. Ele constantemente mudava de mensagem, dizendo que os Estados Unidos não tolerariam o uso de armas químicas, mas não reagindo quando eram divulgadas imagens de vítimas de ataques químicos, e, por vezes, fazendo promessas vazias de armar os rebeldes sírios contra o regime de Assad. No final, Obama acabou admitindo que os Estados Unidos, na verdade, não tinham estratégia alguma. Muitos temem que esse seja também o caso agora na questão da Ucrânia.

Os americanos acham que esse tipo de atitude incerta enfraquece a imagem dos Estados Unidos e que Putin está aproveitando o momento para marcar presença como grande líder mundial, o que pode ter consequências desastrosas para a comunidade global.

Há um certo consenso em Washington quanto à necessidade de os Estados Unidos darem um apoio militar à Ucrânia como uma resposta firme contra as aspirações de Putin especialmente depois de a Rússia ter anexado a Crimeia, em março passado, causando grande preocupação aos líderes da União Europeia. Principalmente, é claro, por parte dos republicanos no Congresso, que exigem que o presidente democrata finalmente se imponha perante Putin.

Até mesmo o nomeado por Obama para secretário de Defesa, Ashton Carter, disse, na semana passada que é a favor de enviar armas e equipamentos de guerra para o governo ucraniano. No entanto, a Casa Branca logo reagiu dizendo que é preciso respeitar a “cadeia de comando”. Um grupo bipartidário de senadores, liderado pelo veterano John McCain, afirma que a única solução é pela via militar, com os Estados Unidos enviando armas para que a Ucrânia possa vencer os separatistas e dar um basta a Putin.

Washington certamente vai acompanhar de perto as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, com a participação da Alemanha e da França, que devem ser realizadas nessa quarta-feira, em Minsk, capital da Bielorússia, mas é difícil acreditar que algum acordo seja atingido e respeitado.

Tudo indica, que, se depender de Obama, o conflito não deve ser solucionado em um futuro próximo, mesmo com os constantes pedidos de ajuda do presidente ucraniano, Petro Poroshenko.

Repercussão na mídia

Quando o assunto é política internacional, o americano médio está mais preocupado com a ameaça de terrorismo islâmico e a instabilidade no Oriente Médio, e o noticiário americano dispensa mais atenção a isso. Mas, é claro, que o embate entre a Ucrânia e a Rússia está recebendo também destaque, com manchetes que fazem com que alguns americanos se perguntem se o fim da Guerra Fria não passa de uma utopia.

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