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O Mundo Agora

Europa vive momento de “ou vai, ou racha”

Áudio 05:17
Encontro da Chanceler Angela Merkel, da Alemanha, com os presidentes Vladimir Putin, da Rússia e François Hollande, da França em 6 de fevereiro de 2015.
Encontro da Chanceler Angela Merkel, da Alemanha, com os presidentes Vladimir Putin, da Rússia e François Hollande, da França em 6 de fevereiro de 2015. REUTERS/Maxim Zmeyev

O tempo está fechando na Europa. O clima angustiante de “ou vai ou racha” está tomando conta das pessoas e dos governos. Dívida grega, Ucrânia, atentados terroristas islâmicos, sucessos eleitorais dos partidos extremistas e a força cada vez maior dos movimentos, nacionalistas e xenófobos de extrema direita. Sem falar do desemprego e das economias paradas.

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Todas essas nuvens negras anunciam tempestade. E quando o tempo fica brabo na Europa, o resto do mundo pode sofrer um furacão. Não é por nada que vários dirigentes europeus já estão falando aberta e publicamente de guerra. Uma guerra “quente” entre a Rússia e os países ocidentais.

A atual tentativa da chanceler Angela Merkel e do presidente François Hollande para resolver o imbróglio ucraniano já é considerada como a última chance de evitar uma catástrofe. Mas por enquanto, dessa cartola não saiu coelho. Vladimir Putin simplesmente invadiu e conquistou um bom pedaço do país vizinho e ainda por cima treina e ajuda os separatistas com armas pesadas e homens.

O objetivo do Kremlin é estabelecer uma zona de influência, um quintal russo na vizinhança. Com outras palavras: uma soberania limitada para a Ucrânia garantida pela ameaça permanente de partição do país. Essa agressão caracterizada, acompanhada por provocações de bombardeiros russos em várias fronteiras aéreas de países europeus, está começando a apavorar ou outros vizinhos da Rússia - vizinhos que vêm reclamando para que a Aliança Atlântica tome medidas militares para enfrentar o perigo. E nos Estados Unidos, o clamor para entregar armamentos ao governo de Kiev é cada dia mais ensurdecedor.

Na verdade, Putin se tornou refém da sua própria ambição. Com uma economia em frangalhos, caminhando para uma baita recessão, a única solução para se manter no poder foi uma escalada nacionalista. Nessa altura dos acontecimentos, recuar na Ucrânia é quase impossível. Alemães e franceses, assombrados pela perspectiva de um conflito com a Rússia, tentam acalmar o urso propondo concessões em que só os ucranianos pagarão a conta. Como dizia Winston Churchill, é a ideia “de dar de comer ao crocodilo achando que você será o último a ser engolido”.

Guerra geral

Em 1938, na volta da Conferência de Munique em que havia aceito a anexação de um pedaço da Tchecoslováquia por Hitler, o chefe do governo francês, Daladier, tratou de “idiotas” a multidão que o aclamava como “salvador da paz”. Hoje, como na época do nazismo, quanto mais apaziguamento, maior será o apetite de Putin. E maior a probabilidade de tudo acabar em guerra geral.

Líderes totalitários só respeitam o equilíbrio de forças. Se dessa vez não houver uma solução diplomática decente, a única saída vai ser armar a Ucrânia. Mas isso pode tanto convencer Putin a negociar quanto provocar uma escalada militar. Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega.

Risco grego

A outra angústia da Europa é a negociação da dívida grega, que vai começar no mesmo dia que o “vamos ver” com Vladimir Putin. O novo governo de Atenas, eleito por um terço dos eleitores desesperados com as políticas de austeridade, está exigindo novas condições para reembolsar uma “pindura” gigantesca e impagável.

O problema é que ele acha que os governos credores europeus vão topar e, ao mesmo tempo, aceitar que os gregos abandonem boa parte das reformas estruturais começadas nos últimos anos para acabar com a irresponsabilidade, corrupção e clientelismo que justamente afundaram a Grécia. E os líderes deste governo de esquerda radical, que tiveram o mau gosto de se aliar com a extrema-direita nacionalista, parecem convencidos de que o resto da Europa, com medo de uma crise do euro, não terá outro jeito senão pagar a conta grega com dinheiro dos contribuintes.

Só que por enquanto, os europeus já proclamaram claramente que não estão a fim de assumir as maluquices de Atenas. E que se a Grécia quiser dar um calote, problema dela. De novo, todas as soluções são perigosas. Enquanto isso os racistas, nacionalistas e até neonazistas estão prosperando e jovens muçulmanos ou convertidos radicalizados multiplicam atentados. Não é por nada que o Velho Continente sempre foi considerado uma das regiões mais perigosas e beligerantes do planeta.
 

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