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Petrobras/Mensalão

Para Le Monde, PT perdeu o controle de seu projeto político

REUTERS/Ueslei Marcelino

Em uma longa matéria assinada pelo correspondente Nicolas Bourcier, Le Monde analisa em sua edição com data de sábado (14) a atual crise no Partido dos Trabalhadores (PT). Além da péssima imagem gerada pelos escândalos do Mensalão e da Petrobras, o PT "enfrenta profundas divisões internas e parece não mais compreender os movimentos sociais" no Brasil, escreve o jornal francês. A crise é pior do que na época do Mensalão.

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A fratura interna do PT é exemplificada pelos comentários de dois petistas ilustres. Le Monde relata que a ex-ministra Marta Suplicy criou um cisma no partido ao declarar que "ou o PT muda, ou ele morre". Num outro estilo, mas igualmente devastador, segundo o diário, José Dirceu, condenado no Mensalão e ex-braço direito de Lula, criticou a guinada liberal da presidente Dilma Rousseff na área econômica e a péssima defesa do governo no escândalo da Petrobras.

O prestigiado jornal francês descreve um partido que perdeu o controle sobre seu projeto político e que hoje se encontra "sujeito às revelações do escândalo de corrupção na Petrobras, obrigado a adotar uma política de austeridades fiscal e com fracos resultados econômicos". A consequência desse descontrole é captada nas pesquisas pela "queda brutal" de popularidade de Dilma, que recuou para 23% de aprovação, no mês em que assumiu seu segundo mandato.

PT falhou no combate à corrupção

Le Monde nota que quase 70% dos eleitores brasileiros afirmam não se identificar com nenhum partido político. "É uma péssima perspectiva para um partido que defendeu, durante vários anos, ser diferente das outras formações e um combate exemplar contra a corrupção", avalia o vespertino.

Para o Le Monde, o aniversário de 35 anos do PT, na semana passada, não teve nada de festivo. "A celebração tornou-se um sofrimento para os dirigentes da legenda", conta o correspondente. Em uma reunião à margem da festa, em Belo Horizonte (MG), Lula, que ainda desfruta de uma enorme popularidade, clamou pela remobilização urgente da militância. O ex-presidente também exortou os companheiros a combater a burocratização do partido.

Crise atual é pior do que na época do Mensalão

De acordo com o historiador do PT Lincoln Secco, a tarefa desta vez será mais difícil do que na época do Mensalão, em 2005. "O PT tornou-se um partido de governo como os outros, mas não é aceito da mesma forma que as legendas tradicionais", avalia o historiador. Com uma recessão para gerenciar, um Congresso hostil e os movimentos sociais distantes depois dos protestos de junho de 2013, o desafio é maior, estima Secco.

Le Monde conclui o texto dizendo que apesar de Lula ter retomado "o bastão de peregrino", como nos velhos tempos, participando de vários eventos em fevereiro para redourar a imagem do partido, não é certo que ele tenha sucesso.

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