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Imprensa francesa é pessimista sobre a lei que tem a missão de desbloquear economia e gerar empregos

O ministro da economia francês Emmanuel Macron.
O ministro da economia francês Emmanuel Macron. AFP PHOTO / PATRICK KOVARIK

Os principais jornais franceses desta quarta-feira (25) criticam a demora da recuperação econômica na França e as reformas trabalhistas que o governo pretende colocar em prática para diminuir o desemprego no país. A imprensa francesa não esconde que está cética quanto aos resultados da lei Macron, que tem o objetivo de desbloquear a economia francesa e diminuir o desemprego.

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O jornal conservador Le Figaro é implacável com a lei Macron, o conjunto de reformas econômicas que leva o nome do primeiro-ministro das Finanças, Emmanuel Macron. A medida não chegou a ir à votação na semana passada na Assembleia francesa. Com medo de não ter este projeto aprovado, o governo socialista recorreu ao dispositivo constitucional 49-3 que permite baixar uma lei por decreto.

A imposição da lei irrita Le Figaro, que a classifica como "adesão a fórceps". Sempre crítico ao governo socialista, o diário não é nem um pouco otimista sobre a lei Macron, uma das vitrines do governo Hollande. "Nada disso vai tirar a França dessa onda de desemprego em massa e frear os gastos públicos", escreve.

Para Le Figaro, a lei Macron ficará marcada na História como uma medida aprovada "à força". "Aclamada como a responsável pela retomada do crescimento e do emprego, ela não vai relançar nem um nem outro", despreza o jornal.

O jornal também não poupa críticas ao chefe de Estado e ao chefe de governo da França. "Se realmente François Hollande e Manuel Valls estivessem comprometidos com suas reformas, eles se recusariam a fazer parte deste jogo. E assumiriam os riscos de sua determinação, inclusive com uma dissolução", propõe Le Figaro.

Economia decepcionante

O jornal Les Echos se dedica a encontrar explicações sobre porque a recuperação ainda não começou na França. Um economista entrevistado pelo diário aponta que a competitividade do país é ruim, as decisões tomadas na zona do euro são desfavoráveis para a França e os investidores europeus estão mais interessados na Espanha. Perspectivas que Les Echos classifica como "decepcionantes".

Em editorial, o Les Echos não é mais otimisma : "o desemprego continua a aumentar, os índices de popularidade do presidente e do primeiro-ministro diminuem, o 'espírito do 11 de janeiro' (data da marcha republicana após os atentados em Paris) se dissipa", publica.

Além disso, para o jornal econômico, o "espetáculo" do Partido Socialista, cada vez mais dividido e abalado pelos conflitos internos, pode afastar os partidários da esquerda das urnas nas próximas eleições regionais, no próximo mês. A fragilidade dos socialistas é intitulada pelo Les Echos como "uma crônica de um desastre anunciado".
 

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