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Fato em Foco

Acompanhamento da saúde mental da tripulação é “suficiente”, dizem pilotos

Áudio 04:34
A alteração na segurança das cabines foi consequencia dos atentados de 11 de setembro de 2001.
A alteração na segurança das cabines foi consequencia dos atentados de 11 de setembro de 2001. REUTERS/Kham

A queda do avião da Germanwings suscitou interrogações sobre o acompanhamento da saúde física e mental dos pilotos. As medidas de segurança na cabine das aeronaves também são questionadas, depois que, trancado no cockpit, o copiloto do Airbus A320 conseguiu derrubar o aparelho, matando a si e outras 149 pessoas a bordo.

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Segundo o Ministério Público francês, o alemão Andreas Lubitz, de 28 anos, teve a atitude “deliberada” de provocar a queda. Pilotos ouvidos pela RFI Brasil garantem: as regras de prevenção adotadas pela aviação civil europeia são suficientes, mas podem ser aperfeiçoadas. Os profissionais são submetidos a normas de segurança aérea que valem para todos os países do bloco europeu.

Para a obtenção da licença profissional, um rigoroso exame psicológico é obrigatório. Além disso, a cada ano eles passam por um balanço completo, como explica o comandante Eric Derivry, presidente do Sindicato Nacional dos Pilotos de Linha da França. “Todos os anos, os pilotos devem ser submetidos a uma consulta médica. Se eles não preenchem todos os requisitos necessários, são considerados inaptos. Essa consulta inclui elementos fisiológicos óbvios, como o funcionamento cardíaco, a visão, a audição, mas também a parte psicológica”, explica.

Derivry afirma que qualquer piloto que não se sente em condições de pilotar tem a obrigação de não assumir o cockpit. Gérard Arnoux, ex-comandante de aviões de linha e presidente do Comitê de Vigilância da Segurança Aérea, destaca que os exames não são a única maneira de avaliar a saúde física e mental da tripulação. Ele ressalta a importância de um outro controle, feito no dia a dia: o dos próprios colegas. Se um comandante percebe um comportamento anormal em um piloto, ou vice-versa, ele deve assinalar aos superiores.

“Os testes são suficientes, ainda mais porque os pilotos enfrentam seleções muito rigorosas, um curso muito difícil e longo, durante o qual é possível avaliar o perfil psicológico deles”, enfatiza. “Não conhecemos as motivações desse jovem, se são pessoais ou políticas. Se foram motivações políticas ou filosóficas, os testes não poderiam ter detectado nada. Não vejo o que podemos fazer a mais para controlar o estado psicológico dos membros da tripulação.”

Normais mais flexíveis

Eric Derivry lembra, porém, que as normas de aptidão médica se tornaram menos rígidas na Europa. Gerard Arnoux demonstra preocupação com as mudanças. “A comunidade europeia acaba de diminuir o nível das inspeções médicas das tripulações, o que, tendo em vista o que acaba de acontecer, é um erro trágico. Atualmente, existem centros de análises médicas da tripulação controlados por militares da Aeronáutica – tenentes-coronéis, generais e médicos e altíssimo nível”, explica.

“Agora, a União Europeia, por razões econômicas, decidiu acabar, pelo menos em parte, com a obrigatoriedade desses centros médicos. Os testes serão feitos por médicos comuns, que receberam um cursinho aeronáutico. Isso é inaceitável”, destaca o especialista, para quem o risco de repetição de uma tragédia como a da Germanwings será maior.

Porta blindada

O especialista sugere que sejam adotadas mudanças nos procedimentos de voo, como a proibição de um dos pilotos ficar sozinho na cabine. Arnoux considera eficiente o sistema de segurança das portas do cockpit, na medida em que dificulta sequestros e atentados terroristas por parte dos passageiros. Mas ele avalia que deve haver meios de a tripulação conseguir abrir a porta por fora.

“Todos os sistemas têm o seu reverso. Salvamos muitos aviões graças a essa porta? O que eu sei é que já perdemos dois ou três, por causa dela. Há três meses, um Embraer 190 novo desapareceu exatamente nas mesmas condições em Moçambique”, relata. “Foi exatamente a mesma coisa.”
 

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