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Vizinho afirma ao Le Parisien que Andreas Lubitz se tornou a "vergonha da cidade"

Policiais protegem a casa dos pais do copiloto Andreas Lubitz, em Montabaur, no oeste da Alemanha.
Policiais protegem a casa dos pais do copiloto Andreas Lubitz, em Montabaur, no oeste da Alemanha. REUTERS/Kai Pfaffenbach

A imprensa francesa tenta entender nesta sexta-feira (27) o que passou pela cabeça do copiloto alemão Andreas Lubitz, da Germanwings, para se suicidar e, ao mesmo tempo, levar 149 pessoas à morte. Segundo o jornal Libération, o misterioso Lubitz "viveu discretamente durante 28 anos, para terminar a sua vida sem pronunciar uma só palavra ao longo de 8 minutos", tempo em que o comandante do Airbus e a tripulação tentaram desesperadamente arrombar a porta da cabine. Em vão.

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"O copiloto queria se matar", intitula o Le Parisien. O diário popular afirma que até a última terça-feira, Lubitz era "o orgulho de Montabaur", sua cidade natal, mas hoje ele dá "vergonha" à comunidade.

Le Parisien ouviu um vizinho da família. Constrangido pelo comportamento mórbido do copiloto, o homem considera que o caso de Lubtiz tem semelhanças com o do extremista católico norueguês Anders Breivik, que matou 77 jovens e deixou 151 feridos, em julho de 2011, na Noruega. "Havia tantos jovens a bordo", lamenta o vizinho. "Foi irresponsável deixar alguém como ele no comando de um avião", conclui o morador de Montabaur.

Tragédia poderia ter sido evitada

Os minutos finais do voo da Germanwings foram um pesadelo, diz o Libération. Para o diário de esquerda, a queda do Airbus deixa uma lição: "foram as medidas de segurança adotadas depois dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, sobretudo as portas blindadas das cabines e o bloqueio das fechaduras pelos pilotos, que provocaram essa tragédia nos Alpes". O jornal lembra que, nos últimos 30 anos, houve cinco casos suspeitos de pilotos suicidas, em companhias do Japão, Marrocos, Sri Lanka, Egito e Moçambique.

Suicídio e assassinato

Entrevistado pelo Le Figaro, o especialista em suicídio Jean-Louis Terra, chefe de um ambulatório psiquiátrico, afirma que, se a suspeita se confirmar, deve-se falar em suicídio e assassinato. Nesse caso, o sofrimento das famílias das vítimas é ainda maior. O psiquiatra não acredita que o copiloto tenha tido um "delírio", porque a descida do avião durou 8 minutos e foi programada por ele, segundo as investigações. "Houve premeditação", o que, de acordo com o médico, é comum entre os suicidas.

Le Figaro conta que amigos e conhecidos de Andreas Lubitz descrevem o copiloto como um homem introvertido e discreto. O jornal destaca que o ministro responsável pela segurança da região onde ele nasceu, na Alemanha, excluiu uma ligação do copiloto com alguma organização terrorista.

 

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