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Após derrota, esquerda francesa deve se unir para as próximas eleições

Áudio 05:33
François Hollande precisa unir a esquerda após a derrota nas eleições departamentais
François Hollande precisa unir a esquerda após a derrota nas eleições departamentais REUTERS/Mehdi Fedouach/Pool

Nas eleições departamentais francesas do último domingo, a oposição de direita foi a grande vitoriosa. O partido UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy, e seus aliados de centro governarão 66 departamentos do país, contra 34 do Partido Socialista do presidente François Hollande. A direita conquistou 25 novos departamentos. Já a esquerda, que governava 61 departamentos, perdeu 27. O partido de extrema direita Frente Nacional, liderado por Marine Le Pen, não conquistou nenhum departamento. Os resultados dessas eleições balançaram o cenário político francês e podem apontar direções para as eleições regionais do fim deste ano e a disputa presidencial em 2017.

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O cientista político Roland Cayrol, co-fundador do instituto de pesquisa CSA, afirma que os resultados mostram a desaprovação dos franceses à política econômica do governo socialista. "Essas são as quartas eleições intermediárias vencidas pela direita, o que representa um voto de sanção contra o poder. Muitos eleitores de esquerda estão decepcionados com a política de François Hollande como presidente da República. Então é a direita que domina atualmente a cena política, e sabemos que cada uma dessas eleições já visa à disputa presidencial de 2017."

Esquerda teme eleições regionais

Ele opina sobre as consequências dos resultados sobre as eleições regionais e presidenciais. "A esquerda domina neste momento a maioria das regiões, mas haverá votação em novas grandes regiões e evidentemente há o risco de um novo voto de sanção. E o risco também de uma presença maior da extrema direita, da Frente Nacional. Porque no sistema proporcional esse partido pode ter um bom resultado, de 25 ou 30%, e ser talvez o árbitro do resultado em algumas regiões da França", opina Roland.

Para ele, há um grande temor da esquerda e um pouco de temor da direita devido à presença da Frente Nacional no sistema proporcional. "Tudo dependerá também, principalmente para a eleição presidencial, da situação econômica do país. O que domina as preocupações dos franceses são o desemprego, a falta de competitividade e a falta de futuro para as crianças."

Mal-estar no Partido Socialista

A dura derrota da esquerda provocou um grande mal-estar no Partido Socialista, atualmente no poder na França. O primeiro-ministro, Manuel Valls, chegou a cancelar uma viagem à Berlim na terça-feira para se reunir com os deputados do partido.

Para o cientista político Alexis Massard, diretor da Escola Europeia de Ciências Políticas e Sociais, a esquerda deve superar as divergências para melhorar os resultados nas próximas eleições. "É necessária uma reorganização da esquerda. O Partido Socialista deve resolver os problemas internos com os deputados que se opõem parcialmente à política do governo. A esquerda deverá também adotar uma nova estratégia, de união, para evitar a dispersão de votos no primeiro turno das próximas eleições, que são as regionais, no próximo mês de dezembro", disse.

Sarkozy sai fortalecido

Para Roland Cayrol, Sarkozy sai visivelmente fortalecido do pleito, mas ainda terá que enfrentar uma forte concorrência pela vaga para disputar as eleições presidenciais de 2017. "É claro que foi ele que organizou e que ganhou essas eleições departamentais. Ele estava no comando do principal partido e foi ele que liderou a campanha. E ele curiosamente conseguiu, ao mesmo tempo, unir da forma mais ampla possível a direita e o centro, e inclusive diferentes correntes do centro. Ele fez uma política de união, que agrada os eleitores moderados, mas realizou uma campanha pessoal muito de direita."

Para o cientista político, o ex-presidente sai evidentemente fortalecido. "Se ele tivesse perdido essas eleições, ele estaria praticamente eliminado. Mas, ao mesmo tempo, acho que a vitória não diz nada sobre quem será o campeão da direita para concorrer à presidência."

Frente Nacional sem possibilidades reais

Mesmo não tendo conquistado nenhum departamento, o partido de extrema direita Frente Nacional aumentou o número de conselheiros eleitos no território francês. "No primeiro turno a Frente Nacional teve um certo êxito, com 25% dos votos. Foi algo evidentemente muito importante para um partido extremista e que pratica uma forma de racismo anti-muçulmanos muito visível. Mas no segundo turno, o partido não se saiu bem. Eles conquistaram muito poucos cantões e nenhum departamento", disse Roland.

E completa: "Há uma espécie de telhado de vidro que faz com que os eleitores fortaleçam a Frente Nacional para mostrar a sua raiva, a sua desaprovação, mas mais de 2/3 dos franceses continuam a se opor resolutamente à sua presença no poder nacional. O partido pode reivindicar que está progredindo, o que não é falso, mas, ao mesmo tempo, há uma impossibilidade real de conquistar o poder".

As eleições regionais, em dezembro deste ano, são as últimas antes das presidenciais em 2017. Não haverá eleições na França em 2016.

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