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Reportagem

Cacique brasileiro divulga livro na França sobre parceria com Google na defesa da floresta

Áudio 04:38
Almir Narayamoga Suruí divulga, na França, livro sobre sua luta pela preservação ambiental.
Almir Narayamoga Suruí divulga, na França, livro sobre sua luta pela preservação ambiental. arquivo pessoal

Como preservar a floresta amazônica e lutar contra o aquecimento global com a ajuda da tecnologia? O líder indígena brasileiro, Almir Narayamoga Suruí, responde a essa pergunta ao se aliar ao Google Earth. A ferramenta permite mapear as regiões de floresta onde acontecem os cortes ilegais de madeira. Em entrevista à RFI, o cacique explica como os membros da sua tribo têm tentado usar as armas tecnológicas para defenderem o ambiente onde vivem.  

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*Entrevista da jornalista da RFI Véronique Gaymard

No livro, “Salvar o planeta”, escrito em colaboração com a escritora francesa Corine Sombrun, o cacique Almir Narayamoga Suruí pretende deixar uma espécie de testemunho para seus filhos e para as gerações futuras sobre as dificuldades para manter a preservação do seu povo e do meio onde vivem. A obra foi destaque na mais recente edição do Salão do Livro de Paris. Na ocasião, o líder indígena brasileiro contou para a RFI como decidiu, há 25 anos, iniciar a luta para defender o seu povo.

“Com 17 anos, me tornei um dos chefes do clã Suruí. Eu via que meu povo estava sendo dominado, indo embora. Isso ficou na minha cabeça. (...). Em 97, pensei em criar um plano para ajudar o povo Suruí”, relatou. Anos depois, o projeto ganhou força com a parceria tecnológica com o gigante Google.

“Usamos GPS, satélites e imagens de satélites para identificar [as áreas de desmatamento]. Como não temos poder de polícia, nós enviamos essas informações para a FUNAI, para a Polícia Federal e para outros órgãos ambientais que são responsáveis para impedir essa legalidade”, disse o cacique durante viagem a Paris.

Ativo nas redes sociais, o líder indígena promove o comércio do artesanato da sua tribo e as suas viagens internacionais em busca de aliados para a preservação da floresta amazônica nas suas páginas no Facebook. No último final de semana, ele encerrou a turnê na França para a divulgação do livro na cidade de Lyon.

Ameaças de morte

Esse combate, no entanto, vai de encontro ao interesse de empresários inescrupulosos. Suruí relata as dificuldades enfrentadas nesses últimos anos. “Por um ano e sete meses tive que ser escoltado pela força nacional porque estava sendo ameaçado por madeireiros”, contou. A redeque se beneficia do comércio ilegal de madeira, segundo o cacique Suruí, "envolve políticos, empresários e clientes do mercado internacional".

 Decepção com o governo

O chefe indígena não esconde a decepção com o governo da presidente Dilma Rousseff. “O governo está mudando para pior. Há vários projetos de lei no Congresso que estão ameaçando os direitos dos povos indígenas, proibindo a demarcação de terras, reduzindo terras indígenas. Isso é uma grande ameaça. O Brasil deveria ser liderança no desenvolvimento sustentável. Mas, dentro do plano do governo, os povos indígenas não têm a menor prioridade”, lamentou.

 

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