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Le Pen/racha

Filha anuncia medida contra Le Pen, fundador da Frente Nacional, de extrema direita

Jean-Marie Le Pen, presidente de honra da FN, e a filha Marine, líder do partido, em 2014.
Jean-Marie Le Pen, presidente de honra da FN, e a filha Marine, líder do partido, em 2014. AFP/ Valéry Hache

Depois de 48h horas de violentas trocas de farpas políticas e familiares entre Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, de extrema-direita, e Jean-Marie Le Pen, fundador da FN, a filha anunciou nesta quinta-feira (9), que vai iniciar um processo disciplinar contra o pai. Em entrevista à TV francesa, ela declarou que ele será convocado diante do conselho executivo do partido.

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O estopim da batalha entre pai e filha foram as recentes declarações de Le Pen a um jornal francês. O patriarca, que nunca fez questão de ser politicamente correto, atacou a origem estrangeira do primeiro-ministro Manuel Valls, voltou a falar que as câmaras de gás que exterminaram milhares de judeus e ciganos na Segunda Guerra Mundial foram um "detalhe" da história e defendeu uma "Europa branca".

Na TV, Marine falou de sua “tristeza de filha”, mas “militante” diante da situação. Ela desafiou o pai, deputado eleito pela primeira vez em 1956, “a dar uma prova de sabedoria”, através da aposentadoria, “ou sofrer as consequências dos problemas que ele mesmo tem causado e que podem provocar o fim de suas responsabilidades políticas”.

Busca da normalidade

Para especialistas, colocar na geladeira o co-fundador da Frente Nacional e presidente do partido por mais de 40 anos é uma maneira de que o movimento se consolide na cena política. Segundo o jornal Libération, a decisão da atual presidente do partido pode ser mais um passo para tornar a Frente Nacional um partido “normal e republicano”, sem os extremismos e polêmicas de Jean-Marie.

Questionada sobre a razão de um procedimento disciplinar uma vez que até então ela não se opunha às declarações polêmicas do pai, Marine falou que foi por causa do caráter “recidivista”. A líder da Frente Nacional disse ainda que é contra a candidatura declarada do pai às eleições regionais de dezembro.

Os analistas políticos acham que Marine Le Pen não tinha outra escolha a não ser romper publicamente com o pai. Desde 2011, quando assumiu a direção da Frente Nacional, ela se dedicou a uma intensa campanha retórica para mudar a imagem do partido.

A troca no comando e o ingresso de uma nova geração de militantes transformaram a Frente Nacional, em três eleições (Parlamento Europeu, Senado e departamentais), na terceira maior força política da França, tornando-se uma pedra no sapato do partido UMP, do ex-presidente Nicolas Sarkozy.
 

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