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Linha Direta

Contrários a vacinas, pais da Dinamarca buscam contaminação para os filhos

Para alguns pais,  os efeitos colaterais das vacinas são mais perigosos do que as doenças que elas combatem.
Para alguns pais, os efeitos colaterais das vacinas são mais perigosos do que as doenças que elas combatem. wikipédia

Cerca de 200 dinamarqueses criaram um grupo no Facebook para oferecer e receber o contágio de doenças típicas da infância para seus filhos. Os membros do grupo se opõem à vacinação recomendada pelas autoridades sanitárias e preferem que seus filhos adoeçam e se curem naturalmente.

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Os pais querem que os filhos contraiam as doenças como sarampo, rubéola, caxumba e catapora ainda na infância, quando os sintomas costumam ser menos graves do que na idade adulta. Através do grupo no Facebook, eles promovem o encontro de crianças doentes com crianças saudáveis, que assim se contaminam e contraem a doença desejada.

O grupo é mais um exemplo da moda de não vacinar as crianças que atinge alguns países europeus. Na Dinamarca, os críticos das vacinas se organizam através da internet e redes sociais para discutir os prós e contras da vacinação e se defenderem de críticas da maior parte da população, que continua apoiando a vacinação infantil.

Num outro grupo no Facebook, por exemplo, 2.500 membros procuram se informar sobre como tratar doenças infantis apenas com homeopatia. Existe até uma associação chamada Fórum da Vacina que, embora se diga neutra, divulga artigos que provariam que crianças não vacinadas são mais saudáveis do que as vacinadas.

Argumentos

Os grupos de pais acham que os efeitos colaterais das vacinas são mais perigosos do que as doenças que elas combatem. Segundo eles, as vacinas podem causar, por exemplo, reações alérgicas graves. Alguns chegam a acreditar que a vacina contra o sarampo possa causar autismo, o que já foi desmentido diversas vezes por especialistas.

Os profissionais de saúde alertam que o risco de efeitos colaterais da imunização é muito menor do que o das complicações causadas pelas doenças. O sarampo, que é uma das doenças infantis mais graves, pode ter complicações como otite, pneumonia e encefalite e pode até levar à morte. Por outro lado, desde 2010, 800 mil crianças foram vacinadas na Dinamarca e, entre elas, apenas 173 sofreram efeitos colaterais mais sérios.

Incompreensão da maioria da população

A tendência é condenada por grande parte da população. De acordo com uma pesquisa encomendada pelo canal de televisão DR, 75% dos dinamarqueses defendem que a vacinação infantil deva se tornar obrigatória. Mas o ministro da Saúde da Dinamarca, Nick Hækkerup, rejeita a ideia. Ele acredita que a queda no número de crianças vacinadas no país se deve mais ao esquecimento dos pais do que a uma decisão consciente contrária à vacinação. O ministro promete intensificar campanhas de conscientização dos pais sobre a importância da imunização.

Ainda assim, especialistas de saúde temem que a Dinamarca não consiga alcançar a meta de eliminar o sarampo este ano. A Organização Mundial de Saúde definiu 2015 como o ano para o fim da doença na Europa. Mais de 95% das crianças têm de ser vacinadas para que o sarampo seja considerado eliminado. No entanto, na Dinamarca, no ano passado, apenas 87% das crianças receberam a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a Europa estava a um passo de eliminar a doença. Nas últimas duas décadas, o continente havia conseguido reduzir em 96% a incidência do sarampo. Mas, no ano passado, 22 mil pessoas contraíram a doença no continente. Uma das razões para o aumento do número de casos de sarampo é a decisão de pais de não vacinar os filhos.

 

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