Acessar o conteúdo principal
Linha Direta

Apesar do cessar-fogo, leste da Ucrânia registra nova escalada de violências

Áudio 05:26
O tenente-general russo,  Alexander Lentsov (2o. à esquerda) acompanhado os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) no aeroporto de Donetsk.
O tenente-general russo, Alexander Lentsov (2o. à esquerda) acompanhado os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) no aeroporto de Donetsk. REUTERS/Igor Tkachenko

Os enfrentamentos no leste da Ucrânia se agravaram os últimos dias, apesar do cessar-fogo acordado há dois meses. A escalada da violência acontece na mesma semana em que os ministros de Relações Exteriores da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia se reuniram para discutir o conflito ucraniano e também na mesma semana de um encontro de ministros do G-7.

Publicidade

De acordo com o governo de Kiev, disse seis soldados ucranianos foram mortos e 12 ficaram feridos esta semana no conflito, em um período de 24 horas. Os separatistas pró-Rússia dizem que um de seus combatentes morreu no mesmo dia, em um ataque militar da Ucrânia.

Ontem, o jornalista Andrei Lunev, que trabalha para o canal russo Zvezda, do Ministério de Defesa da Rússia, foi gravemente ferido na cidade de Shyrokyne, próximo à cidade portuária de Mariupol. Ele acompanhava os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e pisou uma mina terrestre. Andrei não usava colete a prova de balas, mas foi rapidamente levado para um hospital e seu quadro é estável.

Troca de acusações

O porta-voz militar ucraniano, Andriy Lysenko, disse em uma coletiva de imprensa que a situação na zona de conflito "continua instável”. Segundo ele, ataques armados por parte dos separatistas estão ocorrendo em quase toda a zona da linha de frente.

A administração regional de Donetsk, que permanece nas mãos do governo, disse que identificou entre 30 e 40 veículos transportando “equipamento militar russo” em direção à cidade de Popasna, uma cidade controlada pelos separatistas pró-Rússia.

Um relatório informa ainda que outros 20 veículos blindados e 10 tanques chegaram a Debaltseve, cidade controlada pelos separatistas.

Enquanto isso, o líder da autoproclamada República Popular de Donetsk (DNR, na sigla em russo), disse que a Ucrânia está enviando armas pesadas para as proximidades de Donetsk. Segundo ele, pelo menos 100 peças de equipamento militar foram levados para a região, o que indicaria a preparação para uma ofensiva de Kiev.

Reunião dos ministros do G-7

O conflito na Ucrânia é um dos assuntos da reunião dos ministros de Relações Exteriores do G-7, que começou ontem, em Lubeck, na Alemanha. Mas este encontro não conta com a participação da Rússia, já que depois da anexação da Crimeia, em março de 2014, Moscou foi isolado do encontro das maiores economias do planeta.

A crise ucraniana está na pauta de conversas das reuniões, além das negociações com o Irã e o conflito no Iêmen. O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, disse que espera que a Rússia possa retornar ao grupo, mas deixou claro que “o caminho para voltar a fazer parte do G-8 depende de sua ajuda e esforço para pôr fim ao conflito no leste da Ucrânia”.

Ele declarou ainda que não há nenhum interesse de que a Rússia seja isolada de maneira permanente. E concluiu: “Sabemos pela história que alguém que está isolado pode desenvolver mais perigoso do que alguém que não está”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, provocou e disse que “naturalmente, a discussão de questões globais sem a participação da Rússia dificilmente pode ser eficaz”. Sobre o encontro do G-7, a imprensa estatal russa preferiu destacar os protestos realizados contra o evento.

Preocupação com o desrespeito do cessar-fogo

Os ministros de Relações Exteriores da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia já haviam se encontrado em Berlim na última segunda-feira (13). Eles manifestaram sua preocupação com as violações do cessar-fogo e exigiram o fim dos combates e a retomada de um diálogo político. Além disso, eles defenderam a retirada das armas pesadas, morteiros e todos os tipos de carros de combate.

Steinmeier destacou a importância de que o trabalho de trégua seja feito focando na realização de eleições locais no leste da Ucrânia. Ele disse também que a conversa entre os quatro ministros foi “longa, intensa e conflitante”.

Medidas agressivas

O Departamento de Estado dos EUA anunciou que apóia as medidas tomadas em Berlim, mas ressaltou que “os separatistas apoiados pelos russos continuam a tomar medidas agressivas na Ucrânia”.

O governo do Canadá anunciou ontem (14), que pretende enviar 200 soldados à Ucrânia para treinar tropas e integrar a missão internacional já existente, da qual participam militares dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha.

O conflito no leste da Ucrânia completou um ano neste mês de abril e já deixou mais de 6 mil mortos.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.