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Indonésia/Execução

Itamaraty diz que execução de brasileiro é fato grave na relação entre Brasil e Indonésia

Rodrigo Gularte (centro), brasileiro condenado à morte na Indonésia por tráfico de drogas.
Rodrigo Gularte (centro), brasileiro condenado à morte na Indonésia por tráfico de drogas. Reprodução Youtube

Apesar da mobilização das famílias e da pressão exercida pela comunidade internacional, a justiça da Indonésia executou oito pessoas condenadas por envolvimento em tráfico de drogas, entre elas Rodrigo Gularte. Além do brasileiro, dois australianos, quatro nigerianos e um indonésio foram fuzilados logo após meia-noite de quarta-feira (29) no horário local. Brasília informou que a execução pode afetar as relações entre o Brasil e a Indonésia.

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Gularte e os outros sete homens foram fuzilados no complexo penitenciário da ilha de Nusakambangan. A filipina Mary Jane Veloso, única mulher da lista de condenados, teve sua execução adiada na última hora. Segundo a imprensa local, a justiça decidiu poupá-la temporariamente após uma pessoa acusada de tê-la recrutado para transportar drogas para a Indonésia ter se entregue à polícia. O francês Serge Atlaoui, que inicialmente fazia parte do mesmo grupo no corredor da morte, também espera, diante da pressão de Paris, uma decisão de Jacarta.

Logo após o anúncio do fuzilamento o governo brasileiro manifestou sua “profunda consternação”. Brasília informou por meio de uma nota oficial que o episódio “constitui fato grave no âmbito das relações entre os dois países e fortalece a disposição brasileira de levar adiante, nos organismos internacionais de direitos humanos, os esforços pela abolição da pena capital”.

Condenado à morte em 2005, depois de ser preso um ano antes ao tentar entrar na Indonésia com 6kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe, Gularte é o segundo brasileiro executado no país asiático. Antes dele, Marco Archer Cardoso Moreira foi fuzilado, em janeiro deste ano, também acusado de tráfico de drogas.

Segundo Brasília, a presidente Dilma Rousseff havia reiterado, por meio de uma carta enviada ao chefe de Estado indonésio, seu apelo para que a pena capital fosse comutada, “tendo em vista o quadro psiquiátrico do brasileiro - vítima de esquizofrenia - , agravado pelo sofrimento que sua situação lhe provocava nos últimos anos”.

Anistia Internacional condena intransigência de Jacarta

As execuções fazem parte da política de luta contra as drogas do novo presidente da Indonésia, Joko Widodo. Mas para Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional no Brasil, o governo do país asiático, que não respondeu aos apelos de Brasília, tem se mostrado “intransigente”. Além disso, para ele, ao retomar este ano as execuções, Jacarta adota um “discurso demagógico de guerra ao crime”, já que essa estratégia de luta contra as drogas usada pelo governo indonésio não seria eficaz.

Roque lembra que a Anistia Internacional enviou uma carta coletiva, assinada pelos diretores de todos os países que têm pessoas no corredor da morte na Indonésia, mas a organização não-governamental não teve nenhuma resposta de Jacarta.

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