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Linha Direta

Pesquisas indicam que não há favoritos nas próximas eleições no Reino Unido

Áudio 04:41
No Reino Unido, as pesquisas indicam que nenhum partido deverá obter a maioria absoluta necessária para assumir o governo.
No Reino Unido, as pesquisas indicam que nenhum partido deverá obter a maioria absoluta necessária para assumir o governo. Reprodução Facebook

A seis dias das eleições parlamentares no Reino Unido, as pesquisas continuam indicando que nenhum partido deverá obter a maioria absoluta necessária para assumir o governo. Na quinta-feira, o primeiro-ministro David Cameron, do Partido Conservador, e o líder da oposição trabalhista, Ed Milliband, participaram de um programa de televisão respondendo a perguntas do público, assim como o líder liberal-democrata, Nick Clegg. Foi a última aparição formal deles na mídia antes da votação.

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Maria Luisa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

O formato de perguntas do público foi usado porque o primeiro-ministro se recusou a um debate direto contra o trabalhista Milliband. O programa desta quinta-feira foi uma fórmula de consenso entre os partidos e viu cada líder responder às perguntas da plateia separadamente. O público foi bastante incisivo nas perguntas, questionando os candidatos sobre a economia, sobre o sistema público de saúde, e sobre possíveis alianças que cada um fará para tentar obter uma maioria no Parlamento e conseguir governar.

Uma pesquisa realizada pelo instituto ICM para o jornal The Guardian logo depois do programa apontou que 44% dos espectadores acreditaram que Cameron se saiu melhor, enquanto 38% acharam que Milliband teve um melhor desempenho. Essa foi também a impressão de boa parte dos analistas políticos da imprensa britânica. Mas esses especialistas apontaram que Cameron errou ao evitar responder diretamente a perguntas sobre os cortes nos benefícios para famílias de média e baixa renda, e sobre a possível privatização do sistema de saúde.

Em cima do muro

Em relação a Ed Milliband, a análise foi de que ele teve uma participação morna em um momento em que ele precisa de um impulso final para garantir uma maioria no Parlamento. Por fim, Nick Clegg, que é parte da atual coalizão governista e que terá um peso nas alianças que precisam ser formadas agora, deixou no ar a resposta sobre com que lado ele vai se alinhar desta vez, destacando apenas que os dois outros partidos sabem que vão precisar dele.

Tudo indica que nenhum dos partidos vai conseguir a maioria absoluta de cadeiras no Parlamento, necessária para assumir o governo. As pesquisas apontam para um empate técnico entre o Partido Conservador e o Trabalhista – cada um com cerca de 33% da preferência dos eleitores. Como as pesquisas aplicam metodologias diferentes, algumas apontam uma ligeira vantagem para os conservadores e outras apontam para os trabalhistas.

UKIP vira terceira força

Mas a grande novidade que as sondagens mostram é que o Partido Liberal-Democrata, que até 2010 era o terceiro maior do país e vinha se mostrando como uma alternativa viável e crescente dentro do cenário político britânico, agora está em quarto lugar, com apenas 8%. O terceiro maior partido hoje é o UKIP, o Partido pela Independência do Reino Unido, liderado por Nigel Farage. O UKIP adota uma linha de direita e é contra a entrada de imigrantes no país e a permanência do Reino Unido na União Europeia. Esse partido hoje está com 14% da preferência do eleitorado e poderá ser um aliado importante dos conservadores, apesar de neste momento os líderes tentarem manter uma imagem de distância entre eles.

Imigração e União Europeia são assuntos considerados importantes e foram bastante abordados no primeiro e único debate entre os líderes dos sete partidos com representação no Parlamento, realizado algumas semanas atrás. No programa de ontem, o primeiro-ministro David Cameron reiterou que quer um referendo em 2017 para decidir sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. E o trabalhista Ed Milliband disse que, se for primeiro-ministro, prefere passar os próximos dois anos se concentrando em assuntos mais urgentes do que discutindo essa questão.

Economia

A economia do país ainda é o assunto que mais está preocupando o eleitor britânico hoje. O Reino Unido voltou a crescer, mas o custo de vida aumentou, há mais pobreza, menos benefícios sociais e uma ameaça clara à sobrevivência do sistema público de saúde. O partido que conseguir convencer o eleitor de que é o melhor para conduzir a economia é quem vai acabar conseguindo mais votos.

 

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