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Fato em Foco

Mostra em Paris traz escala humana da arquitetura de Le Corbusier

Áudio 05:02
© Centre Pompidou, Mnam-Cci, Dist. RMN-Grand Palais

O Centro Georges Pompidou de Paris, o Beaubourg, está apresentando uma mostra sobre o trabalho do arquiteto Le Corbusier centrada na figura humana. Nascido na Suíça em 1887 e depois naturalizado francês, Charles-Édouard Jeanneret, que ficou conhecido como Le Corbusier, foi um dos principais arquitetos do século 20, ao lado de nomes como Oscar Niemeyer.  

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A exposição revisita a formação de Le Corbusier, sempre muito ligada à pintura, à prática da arte, como explica o curador Frédéric Migayrou. “Essa inter-relação entre arte e arquitetura é a chave para se ver o trabalho de Le Corbusier de uma nova forma”, diz. “Ele propôs uma alternativa ao racionalismo que vinha do século 19, uma recusa total do conceito de proporção que vinha da renascença”.

Le Corbusier pregava uma proporção diretamente relacionada à percepção humana. “Era uma pessoa fascinada pela nova matemática”, relata o curador da mostra. A partir de uma “unidade de habitação”, a ideia foi retomada e replicada em cidades-jardins. Depois da Segunda Guerra Mundial, surgiram complexos como a Cité Radieuse, em Marselha, e em outras cidades. “E, finalmente, o conceito foi utilizado na construção de uma cidade inteira, Chandigarh, capital do estado de Punjab, na Índia”.

Qualidade de vida

Pôla Pazzanese é arquiteto, um dos fundadores da Escola da Cidade, de arquitetura e urbanismo, em São Paulo. Ele destaca a importância de Le Corbusier na elaboração do pensamento sistêmico da arquitetura. “Discutia-se na época que com a chegada rápida demais da industrialização e da urbanização, o atendimento às necessidades dos moradores desses novos núcleos urbanos era feitos com pressupostos muitas vezes equivocados”, diz Pôla. “Le Corbusier e outros refletiram sobre como a tecnologia da época poderia fazer muitas construções valorizando elementos de qualidade de vida”, conta.

Sombra do fascismo

A mostra “Le Corbusier, Medidas Humanas” traz cerca de 300 obras, entre projetos, maquetes, pinturas, esculturas e cartas. É um dos eventos que marcam os 50 anos da morte do arquiteto. Paralelamente à abertura da exposição, dois livros franceses levantaram a discussão sobre a proximidade de Le Corbusier com o governo fascista de Vichy, na França. Um artigo do jornal Le Monde rebateu algumas das críticas, discutindo as relações complexas entre arquitetura e poder. O jornal lembra que, se o arquiteto publicou sob a Ocupação, assim também o fizeram autores como Camus e Sartre.

Polêmicas à parte, a mostra é um mergulho na obra e no raciocínio de um gênio. “Le Corbusier, Medidas Humanas” fica em cartaz no Centro Georges Pompidou, o Beaubourg, até o dia 3 de agosto.
 

Confira algumas imagens da mostra:
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